Muito nos deixa indignado o ato de vandalismo praticado contra um dos mais belos patrimônios históricos da nossa cidade. Mas o que nos deixa curioso é a manifestação feita através desta coluna, no último dia 20, pelo sr. Rodrigo J. Cunha, de Campinas. O projeto “Ferrovia para todos†não é politicagem. Talvez, pela distância o sr. Rodrigo desconheça que este projeto é sim uma política de preservação ferroviária envolvendo poder público municipal, empresas, veículos de comunicação, ONGs, ferroviários e sociedade. A ferrovia nos diz muito respeito. Ela foi responsável pelo desenvolvimento de nossa cidade. A entidade que o sr. se refere é a ABPF, a mesma que levou a 401 para Campinas e que felizmente não conseguiu fazer o mesmo com a 278. Reconhecemos o importante trabalho desenvolvido por esta entidade, tanto que solicitamos ao seu presidente, assessoria para iniciarmos o projeto “Ferrovia para todosâ€. Alguns dias após a negativa da parceria, fomos surpreendidos por uma matéria publicada no dia 19 de setembro de 2001, pág. 3 do Jornal da Cidade, que esta mesma entidade estaria vindo a Bauru buscar a 278. A cidade não permitiu, sr. Rodrigo. A Maria-fumaça 278 está guardada onde ela deveria estar, nas antigas Oficinas da Noroeste do Brasil, em Bauru. Mesmo com segurança privada, a inconsciência prevaleceu. O que nos deixa indignados, caro Rodrigo, é o senhor afirmar que o poder público é incompetente, esquecendo-se porém que a própria Noroeste do Brasil, uma entidade pública, cresceu e se desenvolveu com muita dignidade, tendo em seu quadro excelentes profissionais e artífices. Agora perguntamos: por que uma entidade “nacional†de preservação ferroviária não incentiva a sua preservação nas cidades de origem e deixa pátios e estações abandonados, à mercê de vândalos? Saiba, sr. Rodrigo, que se hoje as estações da NOB e da Fepasa contam com seguranças pagos pela RFFSA, é porque houve uma ação do Ministério Público exigindo que fossem tomadas as devidas providências. Lamentamos muito o furto da placa, mas felizmente poderemos fundir uma nova peça. O nosso projeto pode parecer arrojado demais, pois ele não se sustenta apenas na recuperação dessa composição histórica, também fazemos o levantamento da história oral dos ferroviários aposentados e implantaremos um projeto pedagógico, em que as crianças de Bauru poderão conhecer a história de seus avós e aprender com eles a trabalhar em benefício de sua comunidade. Continuaremos buscando apoio e o incentivo de pessoas que, diferentemente do senhor, ainda acreditam no trabalho, no caráter e na seriedade de nosso projeto. Aproveitamos a oportunidade para convidá-lo a nos visitar em Bauru, e conhecer um pouco mais de nossa história de trabalho. Assim, quem sabe podemos contar com mais um colaborador. Abraços cordiais. (Sérgio Ricardo Losnak - secretário municipal de Cultura, e equipe responsável pelo projeto)
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