Quem passar pelo Bauru Shopping até hoje terá a singular oportunidade de tomar contato com uma mostra coletiva de pintura e escultura muito representativa de uma significativa parcela da produção artística local. São sete artistas, sete mulheres que nos oferecem um conjunto compacto e coerente de obras, onde traduzem suas visões de mundo e seus conceitos de arte, frutos de suas pesquisas e vivências pessoais.
São sete expressões que manifestam uma aproximação sensível, respeituosa e vivencial em suas formas de entender a arte. Formas de fazer arte e de entender arte que delatam uma busca constante pela beleza e harmonia como valores imprescindíveis na construção de seus trabalhos, desafiando o mau gosto criativo que hoje habitualmente conferimos em muitas produções contemporâneas que, embora também significativas, são desprovidas destes valores, tão escenciais para a arte no meu entendimento.
Sete personalidades que cultivam no terreno fértil das artes plásticas a perspectiva de reconduzir algumas das pautas mais tradicionais e clássicas da composição pictórica, como são o retrato, as paisagens, as naturezas mortas... obras que requerem habilidades técnicas e exigem talento, negligenciados por outras proposituras no universo da criação estética.
Fazem parte desta mostra as irmãs Ana Maria e Ângela Maria Zanirato, Clara Cardia, Marilia Ziemba e as três “Miriansâ€: Miriam Delmont, Miriam Volpe e Myriam Sanson, a “Dindaâ€. Embora a forma de conceber as artes plásticas seja, por todas elas, tradicional, e eu diria até comportada, não posso deixar de ressaltar o afinco e a irrequieta seriedade com que estas artistas trabalham e que, com certeza, as conduzirão, cada vez mais, a um aprimoramento de sua arte e de nosso meio cultural.
Na Arte como no universo, “ainda que faças cem nos seguirá sendo uma só cordaâ€, como lembra Rûmi, um velho poeta persa. (O autor é escultor, professor e crítico de artes da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (FAAC) da Unesp-Bauru)