Jorge Elias Salomão, 89 anos, o lojista mais antigo de Bauru, morreu anteontem à noite, vítima de enfarte. Proprietário da Casa São Jorge, instalada desde o início do século passado na quadra 3 da rua Azarias Leite, Salomão teve uma vida dedicada ao comércio.
Desde garoto acompanhava o pai, Elias Salomão, no árduo trabalho de mascate. Experiência que lhe foi fundamental em sua vida como comerciante.
A história de Bauru muitas vezes se confunde com a da família Salomão. Tudo começou em 1905, quando Elias chegou à cidade, vindo de Franca.
Na bagagem, o mascate trouxe malas repletas de botão e linha. Era de onde tirava seu sustento. Na cabeça, Elias tinha o sonho do sucesso, que seguia pelas trilhas do transporte ferroviário, recém-chegado a Bauru.
De vagão em vagão e em cada parada, Elias negociava sua mercadoria. Mais tarde, o filho Jorge Elias herdaria o negócio, com o qual faria história.
Com as vendas alcançadas atrás do balcão da Casa São Jorge, ele conseguiu criar três filhos. Antônio, 61 anos, o mais velho, é hoje médico em São Paulo. Fernando, 54 anos, formou-se engenheiro civil e era seu braço direito na administração da loja. Inês, a única filha de Jorge Elias, morreu aos 42 anos, vítima de câncer.
Sempre preocupado com os resultados das vendas, o ex-mascate acompanhava de perto o movimento da loja. Mesmo já tendo deixado a vida de vendedor, Jorge Elias sempre procurava estar em contato com seus clientes. Esteve na loja até o último dia de sua vida.
Elias era viúvo da costureira Theolinda Vaz. A sua morte deixa um ponto de interrogação quanto ao futuro da loja.
De acordo com o filho Fernando, é cedo para fazer qualquer previsão. “Vamos deixar as coisas aconteceremâ€, disse, enquanto recebia seguidos abraços de parentes e amigos que lotaram o velório Liberato Tayano, ontem à tarde, para o derradeiro adeus ao comerciante.