Política

Adesão à Alca deverá dominar Fórum

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

A adesão do Brasil à Aréa de Livre Comércio das Américas (Alca) deverá dominar a lista de discussões pautadas para a segunda edição do Fórum Social Mundial, que será realizado em Porto Alegre (RS), de 22 a 27 de janeiro.

Representantes de vários segmentos organizados de Bauru já estão se preparando para participar do evento. No ano passado, além da vereadora Majô Jandreice (PC do B) também marcaram presença no fórum diretores do Instituto Vidágua, alunos e professores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e sindicalistas.

Neste ano, o advogado Sandro Fernandes, do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserm), vai representar a entidade e o PSTU, partido ao qual é filiado.

Segundo ele, em relação aos assuntos domésticos que serão discutidos, a adesão do Brasil à Alca deverá dominar os debates. Fernandes conta que há uma movimentação para organizar um abaixo-assinado que será encaminhado ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O documento vai pedir ao novo presidente a realização de um plebiscito oficial sobre a adesão ou não do Brasil à Alca.

“Esse documento deverá ser entregue em junho ao presidente Lula. Vamos exigir que o governo federal faça esse plebiscito de maneira oficial”, diz.

Recentemente, a igreja católica, aliada a outros segmentos organizados da sociedade, fez uma consulta sobre o assunto. A grande maioria dos votos declinou que o País não deve aderir ao bloco econômico.

Desconfiança

O advogado defende que as entidades sindicais e a população de trabalhadores em geral devem se organizar para “armar” um processo de resistência contra a adesão do Brasil à Alca.

Para ele, a indição do deputado federal Henrique Meirelles (PSDB) para a presidência do Banco Central (BC) do Brasil é um forte indicativo de que o governo do PT não viabilizará as grandes mudanças estruturais e econômicas.

“A indicação do senhor Meirelles é um forte indicativo de que o PT deverá manter a mesma ordem econômica presente hoje no País. Portanto, particularmente, não tenho expectativas de mudanças. Me parece que haverá acomodações de interesses”, critica.

Aldeia global

O jornalista Ricardo Félix também participou da primeira edição do Fórum Social Mundial realizado no ano passado, em Porto Alegre. Compositor e músico do conjunto “Mercado de Peixe” - também presente no evento -, ele acredita que o próximo encontro terá uma estrutura mais discreta.

Na avaliação dele, o fato de o PT ter perdido o governo do Estado deverá influenciar na organização do evento. “O Fórum Social Mundial é a oportunidade de termos contato com pessoas de todo o mundo interessadas no bem comum”, afirma.

No evento do ano passado, o jornalista percebeu que “os estrangeiros” não vieram ao Brasil para conhecer o “País do Carnaval”. “Estavam interessados em conhecer a realidade do País e debater alternativas para o mundo globalizado”, garante.

Félix lembra que quando chegou a Porto Alegre havia um clima de racha entre as facções mais radicais e aquelas que propunham alternativas conciliadoras.

“Mas ao final, percebeu-se que houve muito diálogo nas discussões, nos debates e painéis que estavam agendados. E isso foi muito bom”, avalia.

Comentários

Comentários