Economia & Negócios

Trocas de presentes agitam o comércio

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

O dia de ontem foi marcado no comércio de Bauru pelas trocas de presentes ofertados no Natal. Durante toda a quinta-feira, a maioria dos atendimentos feitos em lojas consultadas pela reportagem se referiam à substituição de mercadorias. Para os lojistas, o lado bom dessa situação é que, muitas vezes, as trocas resultam em vendas.

A dentista Mariana Ragghianti, 26 anos, foi a uma loja do Calçadão ontem para trocar o presente - uma blusa - que ganhou de uma tia. Motivo: o tamanho que não deu certo e a cor que não agradou.

“Como sou dentista, ganho muita roupa branca e tenho que usar branco o dia todo. Então, estou um pouco enjoada dessa cor. Já que precisei trocar a blusa porque não me serviu, estou aproveitando para levar uma do mesmo modelo, só que na cor verde”, conta.

Mariana é o exemplo clássico do que esperam os lojistas para os primeiros dias após o Natal: consumidores que fazem a troca de presentes e efetuam novas compras. Ontem, ela aproveitou a ida até o Calçadão para providenciar o presente da mãe, que aniversaria no dia 1 de janeiro.

A gerente dessa mesma loja de confecções, Suzana Gomes Castro, diz que ontem cerca de 70% das operações efetuadas foram de troca de presentes acompanhada por compra. O restante foi apenas de substituição de mercadorias.

“Nossas vendas de final de ano estão sendo ótimas. Na média, estamos superando em cerca de 4% ao dia o volume de vendas de dezembro do ano passado. De 2 a 13 de janeiro, faremos as liquidações de verão”, observa Suzana.

“Troca secreta”

Maria Helena Moutinho, 67 anos, também saiu de casa ontem para trocar dois presentes: um que ganhou e o que comprou para sua “amiga secreta” e não serviu. “Já troquei os dois. Agora, espero que esteja tudo certo”, diz a consumidora.

O gerente de outra loja de confecções masculinas e femininas, Edson Vitali, diz que a maioria das pessoas que passaram pelo estabelecimento ontem tinha como objetivo trocar presentes recebidos no Natal.

Nessa loja, Fabiano Félix, 22 anos, estava na tarde de ontem trocando uma calça que ganhou do presente. “Eu uso número 44 e a calça era 42. Mas consegui substituir por outro modelo que também adorei e estou satisfeito”, conta.

Compras

Em outra loja, que iniciará as liquidações de verão no próximo dia 2, os resultados de vendas de dezembro já estão 15% acima na comparação com o mesmo período de 2001. Ao contrário do cenário da maioria das lojas ontem, neste estabelecimento o movimento maior era referente a compras, e não a trocas, segundo informa o gerente André Ribeiro Miranda.

A consumidora Mariza Souza da Silva, 16 anos, estava nessa loja trocando um conjunto de saia e blusa que ganhou do namorado.

“Não me serviu (o conjunto). Como não achei nenhum outro, estou trocando por uma saia e vou comprar uma blusinha para combinar”, conta Mariza.

Numa loja de calçados, Roseli Rodrigues dos Santos, 20 anos, trocou um tamanco que ganhou da cunhada. “O modelo era exatamente o que eu queria, mas o tamanho não deu certo. Mas já consegui trocar e estou superfeliz”, comemora.

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Resultados

As entidades ligadas ao comércio ainda não possuem uma estimativa oficial sobre os resultados de vendas neste final de ano. Contudo, o presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto De Bernardis, faz uma avaliação a partir de conversas com lojistas da área central.

“Acredito que, em faturamento, a média girou em torno de 5% a 7% a mais sobre o Natal de 2001. Mas em volume de produtos comercializados, estimo uma redução em torno de 15%, também na média. Essa diferença é resultado da inflação dos últimos 12 meses, que foi superior a 7%. Então, vendemos menos que no ano passado”, avalia Bernardis.

De acordo com ele, as liquidações de janeiro serão, para muitos comerciantes, a grande oportunidade de recuperar e melhorar a performance de vendas que tenham ficado reprimidas neste final de ano.

“Ainda não fechamos o formato definitivo, mas faremos uma campanha promocional conjunta entre as lojas em janeiro. Os descontos serão generosos, provavelmente variando de 10% a 60%. As lojas precisam liquidar os estoques atuais para poder renová-los”, adianta o presidente da AEC.

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