Rural

Rastreabilidade: País está no rumo certo

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

A obrigatoriedade da rastreabilidade para a carne bovina destinada à exportação a partir de 2002 passou a exigir dos pecuaristas brasileiros uma nova conduta para atingir o mercado externo com mais qualidade e padronização. Os resultados obtidos durante este ano mostram que o Brasil está no destino certo, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido.

A identificação dos animais ganha força em todas as regiões do País e deve crescer em 2003, sendo que até 2007 todo o rebanho brasileiro deverá estar rastreado, mesmo para venda ao mercado interno.

Os números não são oficiais, mas estima-se que neste ano mais de 1 milhão de bovinos foram devidamente rastreados, especialmente para atender às necessidades de embarque de carne à União Européia. As informações são da assessoria de imprensa da Allflex do Brasil, empresa líder em produtos e serviços de identificação animal no mundo.

Mesmo ficando aquém dos objetivos iniciais, muitos produtores entenderam o recado dado pelo maior comprador de carne bovina do Brasil e avançam rápido no processo de rastreabilidade. É o caso da Agropecuária CFM (São José do Rio Preto/SP) e da Agropecuária Jacarezinho (Valparaíso/SP), dois dos maiores grupos pecuários do Brasil com foco na seleção de gado nelore, montana (CFM) e braford (Jacarezinho).

“Antes mesmo da obrigatoriedade da rastreabilidade, a CFM e a Jacarezinho já mostravam sua preocupação com o avanço tecnológico da pecuária brasileira. Queremos contribuir para a conscientização de todos sobre a necessidade de o Brasil trabalhar rapidamente para atender os novos requisitos do mercado, mostrar sua competência e seriedade e tornar-se o principal exportador de carne bovina do mundo, além de melhorar a gestão do próprio negócio”, diz Fábio Dias, coordenador de pecuária da CFM.

Exigências

“Está muito claro que a pecuária de corte do Brasil precisa se adequar o mais rápido possível às exigências dos grandes importadores de carne bovina, principalmente em relação à rastreabilidade. Caso contrário, continuará atrás dos principais concorrentes, especialmente a Austrália. Todos devem ter consciência de que a rastreabilidade é a maneira de proteger nosso mercado e ajudar no equilíbrio da economia brasileira”, afirma Ian Hill, gerente geral da Jacarezinho.

Para Vincent L’Henaff, diretor da Allflex do Brasil, 2002 foi um ano muito mais de aprendizado sobre a rastreabilidade do que propriamente de resultados.

“Sem dúvida houve evolução, mas os números de vendas de brincos impõem uma dura realidade: ainda há muito o que informar e trabalhar para rastrear todo o rebanho bovino brasileiro até 2007, como manda a lei. Afinal, estamos falando de um universo de mais de 170 milhões de cabeças de gado, dos quais cerca de 35 milhões animais são abatidos por ano”, diz L’Henaff.

Informação

Segundo o diretor da Allflex, para o processo de rastreabilidade no Brasil tornar-se 100% eficaz está faltando o essencial: informação. “O pecuarista está preocupado em atender a legislação mas ainda não tem todas as peças para entender o processo. Ele não sabe até onde vai sua responsabilidade, não entende o papel de cada elo da cadeia produtiva. Poucos têm essa consciência”, completa.

A Fazenda Mariópolis, em Itapira (SP), uma das principais selecionadoras de gado da raça caracu do País, também está levando muito a sério a instrução normativa que criou o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação Bovina e Bubalina (Sisbov), em janeiro de 2002.

De acordo com Maria Lúcia de Abreu Pereira, proprietária da Mariópolis, todos os cerca de 800 animais caracu da propriedade estão devidamente identificados por brincos eletrônicos que enviam as informações de pesagem e medições para um sistema informativo, o FarmExpress, fornecido pela Allflex do Brasil, que pode ser acessado em tempo real por uma página na Internet.

Em outubro, o terceiro elo da rastreabilidade, a certificação de origem, passou a ser feita pela OIA, certificadora credenciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

“A coleta de dados já é feita diariamente na Fazenda Mariópolis para gerenciamento da propriedade. A implementação da rastreabilidade foi feita naturalmente por meio de transferência de parte desses dados para a certificadora”, finaliza Maria Lúcia.

Comentários

Comentários