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Mundo alcoolizado


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Especialistas internacionais asseguram que não há em nenhum país do mundo legislação específica destinada a amarrar, por pouco que seja, o desenvolvimento do alcoolismo, ainda que todos saibam que esse arraigado tipo de vício ou de “prazer” atinge um índice de perversão física tão alto quanto o das enfermidades cancerígenas e das doenças mentais e do coração. Estima-se, conseqüentemente, que atualmente são mais de 36 mil os grupos chamados Alcoólicos Anônimos (AA) atuando religiosamente em cerca de 125 países. No Brasil, também, ainda não se editou lei proibindo a produção proliferada de bebidas alcoólicas, motivo pelo qual só em São Paulo o número de dependentes diretos do maldoso líquido é superior a 3 milhões.

Não há decretos ou leis nos hemisférios coibindo a ingestão da droga e, por isso, não o há, igualmente, quanto à sua fabricação, oriunda dos densos canaviais, a qual, em função disso, vai se dilatando e ao mesmo tempo “enriquecendo” o sabor de todos os tipos de aperitivos, libertando a indústria correlata e deixando-a à vontade para voar em cima do povão, seja embebedando-o abusivamente, seja tomando-lhe as economias, seja, condenavelmente, comprometendo sua saúde e tendo ainda como incontível agravante os seus reflexos sociais terrivelmente negativistas, por afetar o indivíduo, a família e a sociedade, em uma tríplice implicação, sem dúvida condenável, sem que contra isso se despertem as autoridades da saúde, as quais, braços e mãos atados e pensamentos desligados, demoram em legislar veredas que, se não acabarem com o alcoolismo ao menos o reduzam a dimensões mínimas como maneira de concorrer para a defesa das imposições da sanidade humana.

Inquire-se conjecturando que se o alcoolismo existe é porque existem alcoólatras, que não temem possa o vício produzir-lhes doenças graves como gastrite, pancreatite, insuficiência hepática, arteriosclerose e polineurite, além de alteração do sistema nervoso, insônias, esquecimentos e deficiências de visão. E se tem em conta, portanto, que para enfrentar o problema não basta apenas a recuperação do corpo mas, igualmente, o do espírito, aqui entrando muita coisa das barreiras familiares, importantíssimas sem dúvida alguma para que se tenha um mundo cada vez menos alcoolizado, certo? É pelo menos a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

PS: - Agradecemos e retribuímos as bondosas felicitações natalinas com as quais fomos distinguidos pelos amigos professor Tereza Bortone, Armando Svizzero, professor Lady Salgado, Eduardo Campanelli, professor Odair Machado, Abdenor Maluf e Cileida Oliveira Bernartt.

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