• Varejo
Em comparação com outros segmentos, as vendas no setor de varejo e de fabricantes de produtos eletrônicos tiveram um dos piores desempenhos no período de festas natalinas. Os campeões de venda foram móveis e alimentos, ficando os telefones celulares em terceiro lugar. Dados divulgados por redes de magazine, como Casas Bahia, Lojas Arapuã e Lojas Cem, mostram que a demanda por essas mercadorias cresceu às vésperas do Natal. Contudo, o crescimento não foi visto como considerável pela Serasa.
• Consultas
No sábado e no domingo passados, o total de consultas ao sistema da Serasa subiu 2,2% nas vendas à vista e 55,9% nas vendas a prazo. O assessor econômico da empresa de análise de crédito, Carlos Henrique de Almeida, diz que essa expansão de quase 56% não é tão elevada porque o crescimento está sendo projetado sobre uma base fraca, que foi o ano de 2001. Portanto, esse aumento seria “discutívelâ€.
• Serasa
Toda vez que um lojista vai fechar uma operação, ele pode consultar o sistema da Serasa para liberar a venda e verificar se o consumidor está inadimplente no comércio em geral. Com base em outros dados é possível verificar os resultados por setor. O desempenho no segmento de eletrônicos, por exemplo, foi ruim. O superintendente das Lojas Cem, Valdemir Coleone, disse que as vendas até a sexta-feira antes do Natal cresceram 7%.
• Vendas
Segundo Coleone, em todo o mês de dezembro o crescimento da rede deve chegar a 10%. Descontada a inflação, a empresa pode ficar no zero a zero. Já de acordo com informações da Casas Bahia, em parte o bom resultado foi garantido pelo desempenho na área de móveis, fabricados pela rede. Os celulares também puxaram para cima os resultados e devem ultrapassar as TVs no ranking de itens mais vendidos. A rede espera vender 15% acima do apurado em 2001, até o final do mês.
• Rentabilidade
Já comentamos neste espaço que a indústria está mais endividada do que o varejo, mas sua rentabilidade está maior. Os dados foram levantados pela Serasa. começou a crescer e estabilizou-se na faixa dos 50%. Só repicou em 2002, ao atingir 79%. Mas vários economistas concordam que dívida alta não é sinônimo de problema à vista. O que precisa ser verificado é se o total de débitos é elevado em relação ao lucro e à geração de receita.
• Débitos
O grande problema é que os débitos - tanto no comércio quanto na indústria brasileira - têm sido arrastados ano após ano. Sem recursos em caixa, muitas empresas captaram recursos no Exterior em dólar e a desvalorização do real acabou encarecendo o empréstimo. Isso prejudicou a vida financeira de muitas companhias, de vários setores.
• Porte
Já as companhias de pequeno porte (que não têm dívidas em dólares) sofrem mais com o aumento das taxas de juros cobradas em empréstimos bancários. Essas taxas sobem cada vez que o governo anuncia aumento na taxa básica da economia brasileira (Selic), utilizada para operações no mercado. Na área de alimentos, por exemplo, em que há vários pequenos varejistas e pequenas indústrias, a taxa de endividamento disparou.
• Patrimônio
No varejo alimentício, a taxa de endividamento passou de 58% em 2001 para 79% em setembro de 2002. Na indústria de alimentos, o endividamento já chega a 143% do patrimônio neste ano. A questão é manter recursos em caixa para pagá-los. Por sua vez, recursos só existem se há receita elevada e, logo, demanda no mercado interno ou externo. O problema é que não há expectativa de elevação na demanda no primeiro semestre de 2003, segundo a Serasa.