Saúde

Alimentos orgânicos: mais saúde à mesa

Por Sabrina Magalhães | Com Herton Escobar
| Tempo de leitura: 3 min

Na seção de verduras e frutas de um supermercado, uma dona-de-casa escolhe entre dois pés de alface. Eles têm o mesmo tamanho, aparentam ser igualmente fresquinhos e saborosos, só que um custa R$ 2,09 e o outro R$ 0,95. O primeiro é orgânico (cultivado sem agrotóxicos) e o segundo, “convencional”.

Para compreender realmente a diferença entre eles, seria preciso um passeio no campo, uma boa conversa com os produtores ou pelo menos uma cartilha explicativa sobre os impactos da agricultura na saúde e no meio ambiente ao longo dos últimos 50 anos. Mas a dona-de-casa não tem tempo para isso. Ela simplesmente quer um alimento que seja saudável e se encaixe no orçamento familiar.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), séculos antes do nascimento de Cristo, Hipócrates, considerado o pai da medicina, já alertava para a importância de uma boa alimentação para a saúde.

E, ao longo dos anos, a ciência comprovou: ingerir alimentos saudáveis (ricos em nutrientes e vitaminas) pode ajudar na prevenção de várias doenças, inclusive o câncer e as cardiopatias, responsáveis pelos maiores índices de morte no mundo.

E vale a pena pagar mais pelos alimentos orgânicos? Cada vez mais pessoas respondem que sim. Segundo especialistas, entre as opções existentes hoje no mercado, esses produtos cultivados sem agrotóxicos ganham disparado em qualidade nutricional.

O engenheiro-agrônomo e pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Moacir Darolt, afirma, no site do Idec, que as frutas frescas orgânicas têm 31,9% mais fósforo do que aquelas produzidas mediante o uso de produtos químicos. Segundo ele, em geral, os orgânicos têm 8,5% mais fibras e 18,6% mais compostos fenólicos (antioxidantes) do que a comida convencional.

Há várias décadas os estudiosos alertam que os pesticidas (fungicidas, inseticidas, herbicidas) usados na agricultura para controlar pragas e combater doenças são altamente tóxicos ao ser humano e ao meio ambiente. Portanto, são inúmeras as vantagens do consumo de alimentos produzidos sem essas substâncias tóxicas.

As pessoas já percebem isso. Tanto que o mercado de orgânicos é um dos mais ascendentes em todo o mundo, apesar de ainda representar uma fatia minúscula do cardápio internacional de alimentos. É como um candidato nanico que vem crescendo nas pesquisas e ganhando a simpatia da população, mas ainda está muito longe de ganhar as eleições.

No melhor dos casos, em países como Alemanha, Dinamarca e Estados Unidos, as vendas de orgânicos representam entre 1% e 3% do mercado total de alimentos. Isso apesar de um crescimento global de quase 150% nos últimos cinco anos. Estima-se que os cultivos orgânicos tenham movimentado US$ 11 bilhões em 1997 e cerca de US$ 25 bilhões, em 2001.

Para o Brasil, faltam números confiáveis. Segundo estimativas do Instituto Biodinâmico (IBD), maior certificador de orgânicos no País, o mercado nacional movimenta US$ 200 milhões por ano, sustentado por mais de 7 mil produtores em 270 mil hectares de agricultura e pecuária orgânica. Em 2000, esse mercado era de US$ 50 milhões.

“Temos sinais claros de que, se bem trabalhado, esse mercado pode crescer”, diz o vice-presidente executivo do IBD, Alexandre Harkaly. Estima-se que o crescimento anual seja de 40% a 50%. Segundo especialistas, o principal fator que leva os consumidores a optar pelos produtos orgânicos é a preocupação com a saúde.

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