Igaraçu do Tietê - O saneamento básico de Igaraçu do Tietê foi considerado o quarto melhor em todo o Estado de São Paulo, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Com 97,4% dos domicílios ligados à rede geral de abastecimento de água, de esgoto e com coleta de lixo, Igaraçu ficou atrás apenas de São Caetano do Sul, Águas de São Pedro e Serrana.
Na região, a cidade foi a única a ficar entre as dez que têm saneamento básico adequado. Os dados fazem parte dos “Indicadores Sociais Municipaisâ€, divulgados no fim de novembro e que teve como base os resultados do Censo 2000.
De acordo com o diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Igaraçu (Saeit), José Maria Capelasso, a cidade ficou bem classificada porque a coleta de informações foi feita pelo IBGE logo depois da expansão da rede municipal.
Em seis anos, a autarquia aumentou a rede de água e esgoto da cidade em 45 mil metros lineares. Bairros, como o Antúrios e Ouro Verde, que até então não contavam com a infra-estrutura básica, passaram a ser servidos pela rede.
Pelos cálculos de Capelasso, desde 1997, quando assumiu o cargo, a autarquia gastou cerca de R$ 2 milhões para ampliar a rede e fazer a substituição da tubulação antiga e deteriorada.
Hoje, ele garante que toda a cidade conta com fornecimento de água e esgoto. Apenas a zona rural continua utilizando o sistema de fossa séptica, segundo informou Capelasso.
Toda água consumida em Igaraçu é extraída de oito poços semi-artesianos, cuja capacidade de produção é de 13 mil metros cúbicos por dia, o que representa 13 milhões de litros de água.
A cidade tem quatro estações de captação, tratamento e distribuição de água para atender cerca de 6,5 mil imóveis.
A média mensal de consumo, segundo Capelasso, é de 30 mil litros de água por imóvel, o que significa uma conta de aproximadamente R$ 15,00 no fim do mês.
De acordo com pesquisa feita pelo diretor do Saeit, Igaraçu tem uma das tarifas mais baixas da região. Nem por isso, presta serviço de baixa qualidade à população. Na opinião dele, a boa classificação obtida pelo município no levantamento do IBGE mostra que é possível oferecer saneamento básico de qualidade sem cobrar altas tarifas da população.
A título de comparação, Capelasso usou como exemplo o valor cobrado pela Sabesp para 50 mil litros de água. Enquanto a autarquia estadual cobra R$ 127,00 do consumidor residencial que gasta esse volume de água, o Saeit cobra R$ 54,00.
Em Igaraçu, segundo informou Capelasso, não há isenção para pequenos consumidores. Quem consome até 20 mil litros de água por mês, paga uma tarifa mínima de R$ 10,00.
“Esse valor equivale a quatro galões de 20 litros de água mineralâ€, compara o diretor, procurando demonstrar “como a água é barata em Igaraçuâ€.
Até em razão disso, o desperdício de água no município é preocupante.
Segundo Capelasso, cerca de 40% da água distribuída na cidade era “jogada foraâ€, até pouco tempo.
No fim de outubro, o Saeit visitou todas as escolas do município para fazer uma campanha de conscientização contra o desperdício, entre os alunos. Em 23 anos de existência, foi a primeira vez que a autarquia fez um trabalho parecido.
“(Na época da estiagem) muito se falou sobre economizar energia. O mesmo precisa ser feito com a água. Até porque ela é mais importante do que a energia. Para começar, grande parte da energia não existiria sem a água. Se não existe luz, acende-se uma vela e o problema está resolvido. Mas nada substitui a águaâ€, disse Capelasso.