Regional

Sem tratamento, esgoto é problema

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Igaraçu do Tietê - Apesar de ter uma das melhores redes de saneamento básico do Estado de São Paulo, segundo o Censo 2000, Igaraçu do Tietê ainda deixa muito a desejar quando o assunto é esgoto.

Não há na cidade uma estação de tratamento, e todo dejeto produzido diariamente é despejado sem nenhum tipo de tratamento (in natura) nas águas do rio Tietê.

Nem mesmo o fato de ser o principal ponto turístico da cidade, livra o “velho” Tietê do desprezo do poder público.

O esgoto é lançado em quatro pontos diferentes do rio, onde vai se somar com a sujeira que vem rio abaixo, desde São Paulo - seu maior poluidor.

De acordo com o diretor José Maria Capelasso, do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Igaraçu do Tietê (Saeit), o prefeito Carlos Alberto Varasquim (PSDB) já teria encaminhado ao governo do Estado o projeto de construção da estação de tratamento.

Segundo ele, sem a ajuda do Fundo de Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (Fehidro), órgão ligado ao governo, a cidade não teria condições financeiras para executar a obra.

Pelo projeto, a estação de tratamento seria construída próximo a estrada vicinal que liga Igaraçu a Macatuba.

A partir da liberação do dinheiro pelo Fehidro, Capelasso acredita que a obra levaria aproximadamente três anos para ficar pronta. Até lá, a cidade continuará contribuindo com sua cota diária para a poluição ambiental, a exemplo de muitas outras cidades da região, que não tratam o esgoto que produz.

Segundo o diretor, a prefeitura estaria sendo pressionada pelo Ministério Público para a executar a obra o mais rápido possível.

Apesar da atitude condenável (de lançar o esgoto “in natura” no rio Tietê), principalmente por se tratar de uma estância turística, a cidade nunca foi multada pela Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), segundo informou Capelasso.

De acordo com ele, de tempo em tempo o órgão faz coleta da água para medir o nível de oxigênio e de acidez da água.

Na opinião do diretor, o problema da poluição poderia ser ainda pior. Para ele, o fato da cidade não possuir indústrias com capacidade para poluir ainda mais o meio ambiente configura “uma grande vantagem”.

“Infelizmente, junto com o esgoto descem coisas que não deveriam estar lá, como roupas e absorventes”, disse.

Coleta de lixo

Se o tratamento do esgoto não funciona em Igaraçu, o mesmo não pode ser dito da coleta do lixo urbano.

Mesmo sendo uma cidade pequena e que, em tese, produz pouco lixo, a coleta é feita duas vezes por dia.

De acordo com o Censo de 2000, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Igaraçu do Tietê tem aproximadamente 23 mil habitantes.

No Centro da cidade, onde estão concentradas as lojas e supermercados, o lixo é recolhido três vezes ao dia, segundo informou Capelasso.

A coleta inclui também os entulhos de construção, que ficam armazenados nas caçambas.

“Nós procuramos trabalhar da melhor maneira possível, para que a população saiba que nossa prestação de serviço é diferenciada, para melhor”, enfatizou Capelasso.

“Não é fácil administrar isso tudo. Por mais que se faça, os objetivos nunca são alcançados. Isso é desgastante, gera inimizade, mas se eu não fizer outra pessoa tem de fazer”, declarou.

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