Jaú - Policiais militares do 27.º Batalhão de Jaú passaram este mês por um treinamento objetivando o combate ao tráfico de drogas, mais especificamente nas rodovias que cortam a cidade.
Além de instruções teóricas, eles fizeram exercícios práticos de como abordar um ônibus sem causar danos físicos ou morais aos passageiros. O instrutor foi o capitão Nelson Garcia Filho, do 4.º Batalhão de Bauru.
Apesar da abordagem ser normalmente feita pela Polícia Rodoviária, Garcia Filho não vê nenhum empecilho para que a fiscalização também seja realizada pela PM.
Segundo ele, seria preciso apenas que um policial rodoviário auxiliasse no momento de parar o veículo. Todo o resto seria feito pela PM.
Garcia Filho trabalhou durante dez anos como policial rodoviário e hoje é um dos especialistas da PM em apreensão de drogas dentro de veículos de passageiros.
Durante a parte teórica do treinamento, o capitão exibiu uma fita de vídeo com informações sobre o crime organizado no Brasil e as diferentes formas usadas para transportar a droga, sem que a polícia perceba.
Uma das maneiras mais comuns de despistar a fiscalização, segundo o capitão, é transportar a droga no meio de um carregamento de madeira. De acordo com ele, o cheiro da madeira serve para dissimular o da maconha.
Transportar a droga em ônibus de linha também pode ser uma boa alternativa para os traficantes. Segundo Garcia Filho, esses veículos normalmente passam despercebidos pela fiscalização.
A exceção fica por conta dos ônibus provenientes de cidades como Dourados, Campo Grande e Amambaí, no Mato Grosso do Sul. De acordo com o capitão, essas localidades merecem atenção especial da polícia porque seriam sedes de “verdadeiros cartéis da drogaâ€.
Outra grande preocupação da polícia está centrada no que ficou conhecida como “a rota caipiraâ€. A droga sai de Foz do Iguaçu, na divisa com o Paraguai, passa por Assis, depois Ourinhos, Sorocaba e São Paulo.
Da Capital paulista, a droga é enviada para grandes centros consumidores, como Miami, nos Estados Unidos, e Holanda.
Pela estimativa do capitão Garcia Filho, passam diariamente pelas rodovias Marechal Rondon e Raposo Tavares cerca de 600 quilos de droga.
Segundo ele, a fiscalização, embora seja um trabalho importante, serve apenas para inibir e punir o tráfico na esfera mais baixa da pirâmide. “Não estamos pegando os grandes (traficantes), mas os consumidoresâ€, disse.
Causa e efeito
Jaú - O comandante interino do 27.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), major Américo Martins, acredita que o combate ao tráfico de drogas pode trazer resultados positivos em outras áreas do crime.
“Em torno do comércio de entorpecentes orbitam uma série de delitos: o homicídio, a desavença, o furto. Se nós trabalharmos na causa, que é a entrada da droga, provavelmente vamos estar diminuindo os outros delitosâ€, analisou o major.
Na opinião dele, a polícia precisa ter uma ação pró-ativa. Ou seja, evitar que o delito aconteça.
Esse teria sido um dos motivos que o levou a convidar o capitão Nelson Garcia Filho para dar treinamento aos policiais de seu Batalhão.
O 27.º BPM/I compreende a cidade de Jaú e mais nove municípios. Estiveram presente ao treinamento da semana passada apenas os comandantes dessas cidades e os oficiais que comandam as circunscrições regionais.
De volta à cidade de origem, eles terão a incumbência de repassar aos seus comandados as instruções recebidas durante o treinamento.
“A partir daí, vamos colocar em prática o que aprendemos, para tentar detectar nos ônibus que entram na cidade a existência de drogas ou armasâ€, frisou o major.