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Crença pede porco à mesa de Ano Novo

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 3 min

“Aves ciscam para trás, porcos fuçam para frente.” É com este preceito que os supersticiosos escolhem a carne que vão saborear na ceia de Réveillon. Na virada do ano, nada que traga energia negativa e mau agouro deve ser permitido.

A receita parece estar sendo seguida à risca pelos consumidores que aumentaram em 10% o consumo de carne suína em relação ao ano passado. Os supermercadistas revelam que os suínos sempre bateram as aves na virada do ano, por isso fazem estoques distintos para as vendas de Natal e o Ano Novo.

Entretanto, afirmam que há uma mudança de comportamento do consumidor. Em finais de anos passados, a leitoa inteira ou pela metade era o carro-chefe no setor de suínos. Hoje, os clientes optam, em sua grande maioria, pelo pernil, lombo e tender.

A demonstradora de uma das grandes empresas do setor alimentício, Maria da Silva, reforça essa tendência afirmando que os consumidores optam não só pelos cortes de suínos, mas também por peças menores e de linhas cujos produtos precisam de receitas simples. Ela ressalta também que o valor do quilo da leitoa, que dá mais trabalho para ser preparada, supera o custo dos embalados.

Entretanto, alguns consumidores afirmam que em alguns açougues da cidade a leitoa é vendida a preço inferior aos praticados nos supermercados.

O encarregado de açougue Cláudio Altair de Souza aponta que o suíno manteve os preços operados no ano passado. “Não teve aumento não. Para se ter uma idéia, a leitoa que foi vendida em 2001 a R$ 7,99 o quilo, este ano está a R$ 8,40. Acompanhou somente o reajuste de impostos”, garante.

Souza revela que os cortes de pernil mantiveram os mesmos valores de 2001 e este ano, em dias de promoção, foi vendido a um preço inferior ao ano passado, que foi de R$ 2,99 o quilo. O valor do quilo da carne é semelhante aos cortes de frango, cuja carne é considerada a mais em conta no País.

Marisa Losano Cruz Marques optou por levar um lombo para a ceia de Ano Novo. “Já comi ave no Natal e no Réveillon vamos comer porco. É pouca gente em casa e a peça tem um tamanho ideal”, comenta a consumidora que diz que pagou pelo lombo o mesmo valor (R$ 18,00) do peru da ceia natalina. “Talvez na relação de peso saia um pouquinho mais caro. O peru tinha osso e era mais pesado; o lombo é mais leve e desossado, mas o valor é o mesmo.”

Além das superstições, a comerciante Kátia Cruz também definiu a carne suína no cardápio de Réveillon pelo sabor diferenciado e apreciado por sua família. Mas deixou a leitoa de lado e optou pelo pernil pela praticidade em preparar a carne. Com relação ao preço, a comerciante afirma que “tudo subiu”. â€œÉ como no Natal que tem que ter peru, não pode faltar. Mesmo caro, a gente acaba comprando.”

Tabus

A carne de porco é a mais consumida no mundo. Entretanto, parece que os brasileiros são resistentes à sua tentação. â€œÉ um crime fazer uma leitoa à pururuca, mas é um crime ainda maior deixar de comê-la”, diverte-se a nutricionista Sheiza Bianchi.

Ela aponta que a carne suína no geral é realmente mais calórica que a carne bovina. Entretanto, para o hábito do brasileiro acostumado com carnes gordas como a picanha, a costela e o cupim, algumas opções de cortes suínos como lombo, tender e até o pernil podem ser ingeridos sem restrições, desde que sem exageros

“O problema da carne de porco não está só na gordura, mas sim no sabor, que faz com que se coma até entupir, aí faz mal”.

A nutricionista aponta que as combinações muitas vezes descombinadas das festas de final de ano colaboram para um quadro negativo. Para reverter a situação, Sheiza recomenda a ingestão em quantidades moderadas seguidas de frutas frescas com casca, já que geralmente as saladas leves também não costumam entrar no cardápio das ceias.

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