Regional

Alzira toma posse em Jaú e prega união

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Jaú - A nova presidente da Câmara Municipal de Jaú, Alzira Fátima Voltolin (PMDB), 40 anos, toma posse hoje com o propósito de dividir as responsabilidades do cargo com os demais vereadores. Ela sucede José Carlos Zanatto (PPB) e fica no cargo até 2004 - ano da próxima eleição municipal.

Em entrevista ao Jornal da Cidade, a nova presidente disse que, durante esses dois anos, não quer tomar as decisões sozinha. “Quero os vereadores do meu lado. Porque todos fazem parte do poder”, declarou.

“Eu acho que sozinho, nenhum presidente da Câmara, seja homem ou mulher, consegue fazer alguma coisa boa para a cidade”, concluiu.

Alzira afirmou que pretende sentar com todos os vereadores, assim que estiver terminado o recesso parlamentar, e definir quais serão as prioridades para os próximos dois anos.

A nova presidente pretende ainda fazer uma ampla reformulação no conjunto de leis que existem atualmente na Câmara.

“Vamos limpar o entulho legislativo que existe hoje. Algumas leis precisam ser unidas em uma só, outras revogadas”, disse.

Segundo ela, parte da legislação vem desde o início do século passado e perdeu sua utilidade. Como exemplo, ela citou uma lei, ainda em vigor, que regulamenta o uso de carroças no perímetro urbano.

De acordo com a nova presidente, a intenção é fazer a mesma revisão que foi feita recentemente com a Lei Orgânica do Município (LOM).

Muitas das determinações da LOM estavam desatualizadas e sem eficácia. Em um esforço coletivo, os vereadores aprovaram, em junho último, a redação de uma nova lei, mais moderna e eficiente.

Alzira disse também que vai lutar até as últimas conseqüências para vencer um dos maiores desafios de sua gestão. “Quero trazer para Jaú um aparelho de ressonância magnética”, destacou.

Como a cidade não elegeu este ano, pela segunda vez consecutiva, nenhum deputado estadual ou federal, a nova presidente terá de recorrer aos gabinetes da Assembléia Legislativa, em São Paulo, ou ao Congresso Nacional, em Brasília, para obter ajuda nessa briga.

Na opinião dela, já passou da hora da população de Jaú contar com esse benefício.

A posse, hoje, não contará com nenhum cerimonial na Câmara. A transmissão do cargo se dará de forma automática.

Por tradição, só há cerimonial quando envolve também a posse do prefeito.

A nova mesa diretora da Câmara Municipal de Jaú é composta também pelos vereadores Antenor Zago (PDT), José Antônio Cavalcante (PC do B) e Ademar Pereira da Silva (PT), o Dema. Respectivamente, vice-presidente, primeiro-secretário e segundo-secretário.

Eleição

A nova mesa diretora foi eleita no dia 9 de dezembro, na última sessão ordinária do ano.

Naquela noite, dois fatos históricos marcaram a votação. Pela primeira vez, uma mulher era escolhida para assumir o cargo de presidente na Câmara. E também foi a primeira vez que a escolha foi feita através de voto aberto.

Ao contrário das votações anteriores, os vereadores declararam suas preferências publicamente.

Por 12 votos contra cinco, a chapa encabeçada por Alzira venceu a eleição. Do outro lado estavam os vereadores Raul Bauab Filho (PSDB), Rita Chacon (PTB), Ricardo Bagaiolo (PPS) e João Carlos Coló (PPS).

Preocupação com o social

Nascida em Jaú, aos 28 de maio de 1962, a vereadora Alzira Fátima Voltolin iniciou sua carreira política em 1993. Sempre foi filiada ao PMDB e sua primeira vitória nas urnas aconteceu em 1996, quando foi eleita vereadora, com cerca de 1,5 mil votos – o dobro do que havia alcançado na eleição de 1993, quando ficou como segundo suplente.

Com forte atuação no campo social, Alzira tem em seu currículo a coordenação de projetos de casas populares pelo sistema de mutirão e de vários cursos na periferia da cidade, como marcenaria, tricô, crochê, costura, artesanato e pintura.

Entre suas principais realizações está o programa “Luxo do Lixo”. Graças a ele, os catadores de lixo reciclável tiveram sua atividade regulamentada e criaram até uma associação. Em alguns casos, dependendo da quantidade de lixo coletada, esses trabalhadores chegam a receber quase R$ 1 mil em um mês.

A vereadora teve participação também na criação de um centro de recuperação de drogados e alcoólatras, na zona rural da cidade. Neste projeto, Alzira contou com ajuda das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) - grupos ligados à Igreja Católica.

“Uma das coisas que eu aprendi é que a política é a arte de servir”, comentou a vereadora. Segundo ela, “é uma satisfação muito grande” poder ajudar a parcela da sociedade que normalmente não encontra respaldo no poder público, do qual faz parte.

Assim que foi eleita, Alzira disse que ficou surpresa com a reação das pessoas nas ruas. Segundo ela, a manifestação de carinho foi maior entre as mulheres. Muitas delas lhe enviaram flores, com cartões cumprimentando-a pela vitória.

Na opinião da vereadora, essa reação entusiasmada, principalmente do público feminino, aumenta ainda mais sua responsabilidade. “Criou-se uma grande expectativa em torno do meu trabalho. Por isso, não posso decepcionar quem acreditou em mim”, frisou.

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