Economia & Negócios

Experiência descarta jovem profissional

Da Redação
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A procura de emprego é um dos principais desafios do jovem. Primeiro ele tem que cumprir as exigências do mercado de trabalho. Mesmo depois de concluir o ensino médio e de fazer cursos de aperfeiçoamento não encontra com fa cilidade uma empresa que ofereça a oportunidade do primeiro emprego porque não tem experiência. É o que a afirma a psicóloga e consultora organizacional Regina Maura Pereira Torres.

É o caso de Glicia Mara Mello, 19 anos, ela conclui o ensino médio há 3 anos, fez curso de informática, está no segundo ano do curso de inglês e ainda não encontrou emprego em nenhuma empresa da cidade.

Glicia diz que assim que terminou o colegial começou a procurar emprego e descobriu que precisava fazer alguns cursos para ter um currículo adequado. Segundo ela, por algum tempo se dedicou aos cursos com a esperança de em seguida conseguir uma vaga. “Mesmo com os cursos não consegui arrumar um emprego. Gostaria de trabalhar em algum escritório ou até mesmo de recepcionista. Mas eles pedem experiência e isso eu ainda não tenho”, relata.

Glicia, sem alternativas, teve que optar por um trabalho temporário. Atualmente, está trabalhando como empregada doméstica. Ela afirma que este não é o emprego que ela desejava, mas que para continuar o curso de inglês e ajudar sua família tem que ficar neste emprego, até que encontre um melhor.

“Se nenhuma empresa me der oportunidade fica difícil. Eu acredito que posso atender às expectativas. Eu tenho capacidade de aprender”, reforça. Glicia conta que em sua família apenas sua mãe possui emprego fixo, enquanto seu pai faz bicos para manter a renda familiar. Portanto, o dinheiro que ela ganha em seu trabalho é essencial para suprir as necessidades da família.

A jovem conta que no seu circulo de amizades acompanhou vários casos como o dela. Glicia diz que existem situações ainda mais complicadas porque muitas jovens não aceitam trabalhar de empregada doméstica, não têm condições de estudar e acabam desmotivadas. “Muitos ficam revoltados, alguns partem para criminalidade. Meninas engravidam muito cedo e depois não podem mais trabalhar”, conta.

Neste ano, Glicia pretende insistir na busca de um emprego e investir ainda mais nos estudos. Um dos motivos da jovem buscar uma melhor colocação no mercado de trabalho é para poder ingressar em uma universidade.

Para Regina, a experiência exigida pelo mercado mostra que existem menos vagas do que pessoas desempregadas. “A experiência acaba excluindo os jovens, pois eles competem com profissionais formados e que já trabalharam em diversas empresas”, afirma. Segundo ela, estes profissionais possuem mais desenvoltura nas entrevistas de seleção e assim o jovem fica em desvantagem.

Débora Ballaminut, 19 anos, está no segundo ano do curso de Publicidade e Propaganda. Ela conta, que vem procurando emprego há 3 anos e que encontrou os mesmos obstáculos apontados por Glicia. Segundo ela, a opção que encontrou foi entrar na universidade, pois caso contrário ficaria ociosa. “Ainda estou procurando qualquer emprego. Preciso pagar minha faculdade, meus pais não estão conseguindo pagar sozinhos”. diz.

Débora afirma que o curso universitário é muito caro e que tem feito poucas aulas o que fará o curso se estender por no mínimo sete anos. Encontrar um emprego a faria terminar o curso mais rápido. “Eu estou fazendo poucas aulas, mas existem pessoas que não podem fazer nada porque não têm dinheiro. Muitos potenciais são desperdiçados”, ressalta.

Regina que trabalha no setor de recursos humanos há 21 anos, diz que nunca viu tanto desemprego. Segundo ela, as empresas preferem contratar profissionais com experiência para não perderem tempo com treinamento. Para ela, é necessário que os empresários vejam também o lado positivo de empregar um jovem profissional, como por exemplo, a formação do profissional de acordo com o perfil da empresa e o aproveitamento da motivação daquele que encontra a primeira oportunidade profissional.

Regina destaca também o lado social de se contratar um jovem. Para ela, o ato é uma contribuição com o desenvolvimento do ser humano, pois afasta os adolescentes das ruas.

Estágios oferecem experiência

Há 38 anos no mercado, a Organização Não Govermental (ONG) Centro de Integração Empresa Escola (Ciee) encaminha jovens que estão cursando o ensino médio, cursos técnicos e universitários para empresas públicas e privadas, afirma Simone Estruque Pires, assistente de atendimento do Centro em Bauru. Segundo ela, somente na cidade o Ciee possui 10 mil estudantes cadastrados e mais de 1.200 estagiários contratados.

Simone diz que semanalmente o Ciee dispoem de em média 100 vagas de estágio que são preenchidas de acordo com o critério de seleção das empresas. Ela afirma que a maioria dos estágios do Ciee são para universitários, principalmente do curso de Administração de Empresas, mas que em Bauru existe um bom número de estudantes de cursos técnicos e do ensino médio estagiando pelo Ciee.

Os contratos da ONG são feitos de acordo com a Lei Federal de Estágios, 6494/1977, que isenta a empresa de encargos trabalhistas, em contrapartida o Ciee paga seguro, salário mensal e oferece cursos de aperfeiçoamento para seus estagiários. Simone afirma que 70% dos estagiários do Ciee são efetivados pelas empresas, depois de um ano de trabalho.

Ela conta que muita empresas multinacionais não contratam funcionários sem que antes façam estágio. “O estágio é uma espécie de avaliação que garante a credibilidade do funcionário”, diz. A psicológa Regina Maura Pereira Torres também aponta algumas empresas que utilizam o estágio como uma espécie de treino e seleção de pessoal, a fim de evitar demissões futuras.

Além de encaminhar para estágios o Ciee também oferece diariamente palestras e cursos para os jovens cadastrados, diz Simone. Os adultos que não cursaram o ensino fundamental também podem procurar a ONG para participar do curso de alfabetização que oferece diploma para a 4.a série, conta Simone. Segundo ela, o curso é aprovado pelo Ministário da Educação e totalmente gratuito.

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