Numa conversa com passageiros numa viagem de Aracaju a Alagoinhas, na Bahia, em março de 2002, falando sobre a violência nas grandes cidades, um jovem afirmou que a visão de que a violência seria um problema das grandes cidades era posição ultrapassada, uma vez que teria acompanhado a globalização e se estendia até a zona rural. É fato que a violência deixou de ser um fator das grandes cidades.
Antes, as pessoas saíam das grandes cidades para ter sossego na roça, no sítio, na chácara. Nas redondezas de São Paulo estão se formando quadrilhas especializadas em assaltar chácaras. Em algumas zonas rurais no Interior do Brasil, as pessoas estão se mudando para as cidades e para vilarejos para se sentirem mais seguras por medo dos assaltos, do que antes só ouviam falar. De aposentados a fazendeiros, todos são vítimas mais comuns com requintes de crueldade e agressão física a velhinhos aposentados.
Outra prática são os assaltos a ônibus interestaduais, principalmente no Nordeste. O problema é que se repetem nos mesmos lugares com tremenda freqüência sem nenhuma medida para evitá-los. Até parece que os responsáveis pela segurança não sabem que infiltrar policiais entre os passageiros poderia surpreender os bandidos.
O maior problema do Brasil seria a falta de medidas para combater um problema quando este vai surgindo. As autoridades deixam se tornar graves para tomar as medidas, sempre insuficientes. Com a violência na zona rural está acontecendo o mesmo. Ela vem crescendo, já está em todo o Brasil, com os mesmos requintes de crueldade das grandes cidades.
As ações de combate não têm surgido. Há muita falação por parte dos governadores, dos prefeitos, mas de concreto, só a insegurança que deixou de ser um problema das grandes cidades e atinge as pessoas simples da zona rural. O pânico é geral e irrestrito.
Se as autoridades ficarem apenas no discurso, a violência se tornará pior do que nos grandes centros, devido ao isolamento inerente à zona rural e também por não merecer destaque na mídia. Parece estar fácil demais assaltar, traficar e aplicar o dinheiro em bens, especialmente fazendas, sem a percepção proposital dos órgãos estatais. O crime, nos mais variados graus de violência, está globalizado e desmedidamente crescente. Só as autoridades não vêem. (O autor, Pedro Cardoso da Costa é Bacharel Direito)