Política

Purini fecha Câmara para 'balanço'

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

O recém-empossado presidente da Câmara Municipal, vereador Renato Purini (PV), determinou ontem a suspensão por até 30 dias de todas as compras em andamento na Casa. É o primeiro ato do novo presidente do Poder Legislativo, empossado no cargo anteontem.

A decisão foi tomada em conjunto com a vice-presidente da Câmara, Majô Jandreice (PC do B) e os dois secretários, Rodrigo Agostinho (PMDB) e Pastor Luiz (PL).

A intenção é de que, até o final deste mês, a Mesa Diretora da Câmara tenha uma radiografia contábil e financeira completa da Casa. A partir desse levantamento, Purini e os demais componentes da Mesa pretendem planejar os gastos mês a mês para evitar surpresas no final do ano.

Seu antecessor, Walter Costa (PPS), encerrou o ano descumprindo o que determina a Constituição Federal, que estabelece que as câmaras municipais não podem exceder o limite de 70% de sua verba de manutenção (duodécimo) com gastos de pessoal. Costa fechou 2002 acima de 71%.

“A nossa primeira providência é aquela que na iniciativa privada se chamaria ‘fechar para balanço’. Estamos suspendendo as compras por um período de 20 dias, prorrogáveis por mais dez, se necessário”, anuncia Purini.

No decorrer desse período, uma comissão que ainda será nomeada vai fazer um levantamento de todo o patrimônio da Câmara.

“Com isso, a nova Mesa Diretora terá uma visão estratégica de como vai se administrar a Casa, como programar as novas compras, atendendo às necessidades de funcionamento do Legislativo”, explica.

Cargos de confiança

Com o apoio dos demais integrantes da Mesa, Purini diz que vai avaliar a necessidade dos dez cargos de confiança ligados diretamente à presidência do Legislativo.

“Vamos manter apenas aqueles considerados indispensáveis ao bom andamento dos trabalhos legislativos”, adianta, sem citar números e funções.

Embora a informação seja extra-oficial, já se sabe que devem ser extintos os cargos de chefe de Cerimonial, o de assessor técnico de Obras e o de assessor Parlamentar, cuja prerrogativa de contratação é exclusiva do presidente.

Atualmente, a Câmara abriga 101 servidores. Purini conta que só poderá analisar se esse é um número de funcionários adequado para atender as necessidades do Legislativo após a avaliação que será feita.

Ele, porém, não descarta a possibilidade de ter que fazer um corte de pessoal para reequlibrar os gastos com a folha de pagamento.

O Poder Legislativo recebe hoje da Prefeitura de Bauru como verba de manutenção cerca de R$ 680 mil por mês, dos quais R$ 490 mil são destinados ao pagamento dos subsídios dos 21 vereadores e dos demais funcionários da Casa. “Vamos ter que adequar essa relação para não descumprirmos a lei”, afirma.

O novo presidente da Câmara vai acatar sugestão do primeiro secretário Rodrigo Agostinho e criar uma ouvidoria na Casa. O objetivo é que a função seja um captador de sugestões, críticas, reclamações da comunidade e dos próprios servidores. Vai servir, também, como referência para encaminhamento de denúncias.

Outra determinação da Mesa Diretora é a extinção do processo de emissão de cheques para pagamentos de aquisições e contratos de prestação de serviços.

“Todos os pagamentos de fornecedores serão efetuados através do depósito em conta-corrente, sem a emissão de cheques ou saques. Os recursos sairão direto das contas bancárias da Câmara para as dos fornecedores, num processo que se tornará, inclusive, muito fácil de se fiscalizar”, conta Purini.

Para ele, a gestão do biênio 2003/2004 pretende administrar a Câmara como se fosse uma empresa privada. “Vamos administrar o Legislativo como se fosse uma empresa, mas não perdendo de vista as normas vigentes para a gestão pública e as orientações do Tribunal de Contas do Estado, que nos fiscaliza”, conclui.

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