Regional

Rondon vira praça de guerra de presos

Tânia Fonseca
| Tempo de leitura: 4 min

Botucatu - A volta de centenas de presos indultados ontem à tarde para prisões do oeste do Estado foi complicada e deixou pelo menos quatro detentos feridos gravemente. A pancadaria, em plena rodovia Marechal Rondon, teria sido motivada por rixas entre facções rivais não identificadas até o final da tarde.

Os presos viajavam em ônibus fretados e pagos por eles próprios, em viagens organizadas pelas unidades prisionais. Na condição de “livres” para passarem as festas de final de ano com familiares, os presos viajam sem escolta. Geralmente vai apenas o motorista tansportando cerca de 50 homens em cada veículo. Em alguns casos viajam agentes de segurança.

No caso de ontem, vários ônibus haviam saído no final da manhã da cidade de São Paulo com destino a prisões de Mirandópolis, Pacaembu e Valparaíso.

Ao chegar em Botucatu, já próximo ao município de Areiópolis, pela Marechal Rondon, um dos ônibus que seguia para Mirandópolis parou para a troca de um pneu que havia furado. Nesse momento, passava pelo mesmo local um outro ônibus que transportava presos para Valparaíso.

Ao reconhecerem na pista supostos rivais de facções, os presos de Valparaíso pediram para o motorista parar, ordem essa que foi obedecida prontamente. Iniciava-se então um tumulto que acabou atraindo pelo menos outros oito ônibus que também faziam o transporte de condenados, no mesmo percurso.

Os ônibus foram parando às margens da rodovia e os passageiros desceram. Muitos deles entraram numa briga generalizada que chegou a interditar a pista no sentido Capital-Interior.

Quem passava pela rodovia Marechal Rondon por volta das 15h de ontem tinha a impressão que uma verdadeira guerra acontecia no quilômetro 260, entre a praça de pedágio de Areiópolis e o trevo de Botucatu.

Ao perceberem o tumulto, muitos veículos que trafegavam pela pista voltavam até mesmo na contramão na tentativa de escapar de um possível confronto. Apesar da bagunça no trânsito, não foi registrado nenhum acidente entre veículos.

Os presos usavam o que encontravam pela frente como pedaços de pau por exemplo, para se agredirem. A Polícia Rodoviária e Militar de Botucatu foram acionadas e se deslocaram para o local e logo passaram a contar com reforço policial de cidades vizinhas.

Muitos dos presos tiveram escoriações pelo corpo e não quiseram passar por médico. Quatro deles no entanto, com ferimentos considerados graves, foram levados para o pronto-socorro do Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

Até o fechamento desta edição os feridos continuavam internados. Suas identidades não foram reveladas pela polícia.

Precedente

A confusão que se instalou na Rondon em Botucatu não era casual, segundo testemunhas. Alguns motoristas dos ônibus que faziam o transporte dos presos disseram que no posto Castelão, na rodovia Castelo Branco, proximidades do município de Porangaba, já havia surgido um desentendimento entre presos de ônibus e presídios diferentes.

O incidente, no entanto, teria transcorrido sem maiores conseqüências e a viagem prosseguiu coincidindo com o pneu furado em Botucatu e aí sim a parada de vários dos ônibus e início da pancadaria geral.

Segurança

Antes de saíram da prisão para viajar os presos passam por avaliações e de acordo com o coordenador regional de Administração Penitenciária, Antônio Paulo Veronezi, recebem autorização judicial para tanto. Durante o tempo em que estão liberados, no entanto, os detentos não estão sob responsabilidade do Estado.

O transporte, segundo Veronezi, geralmente é organizado pela unidade prisional mas quem arca com as despesas e a responsabilidade pelos atos cometidos na rua são os próprios detentos. Manter ou não agente de segurança durante o transporte seria uma decisão da empresa contratada para o serviço.

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Revista geral

Após o controle do tumulto na rodovia em Botucatu, os policiais fizeram com que os presos retornassem para os ônibus que foram escoltados até a base operacional da Polícia Rodoviária de Agudos onde todos passaram por revista rigorosa.

De acordo com o comandante do CPI-4, coronel Helder Pereira, o objetivo era retirar todo e qualquer objeto que pudesse representar perigo durante o restante da viagem. Algumas imitações de estiletes e pequenas porções de droga foram localizadas sem no entanto aparecer o responsável.

Durante o resto da tarde, cerca de 80 policiais militares se concentraram na base de Agudos para a revista. Todos os presos foram retirados dos veículos e após revista pessoal aguardaram, sentados no chão, a revista em suas bagagens.

Outro objetivo da polícia era identificar participantes da pancadaria. Detalhes como manchas de sangue na roupa ou calçados não passaram despercebidos pelos policiais.

Ao final da revista, alguns presos foram encaminhados para a delegacia para prestarem esclarecimentos. Os demais embarcaram novamente rumo ao destino final da viagem que foi atrasada em algumas horas.

O relatório da PM seria encaminhado ao 2º Distrito Policial de Botucatu para as providências cabíveis.De acordo com o coronel Helder Pereira muitos ônibus transportando presos que foram passar as festas de fim de ano em casa estavam nas estradas do Estado ontem.

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