Guerra no Iraque 2003

Bagdá promete 'holocausto' aos EUA

Agência Folha
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Bagdá - Apesar de sofrerem mais um dia de bombardeios intensos em Bagdá, autoridades iraquianas tentaram adotar o tom de vitória nas suas declarações, divulgando supostas vitórias militares e fazendo novas ameaças aos EUA e ao Reino Unido. A coalizão anglo-americana foi acusada de matar civis e de atingir propositalmente armazéns de comida e estações de abastecimento de água.

Ministros foram usados para fazer as declarações, como tem sido costume desde o início da guerra. O presidente iraquiano, Saddam Hussein, apareceu em imagens de TV durante reunião com seus filhos Uday e Qusay, ao lado de outros membros do gabinete. Não foi possível determinar quando as imagens foram gravadas.

O vice-premiê iraquiano, Tariq Aziz, declarou ontem: “A guerra está construída em mentiras. Os EUA e o Reino Unido acharam que seria fácil. Mas agora enfrentam problemas”. Aziz é único cristão no alto escalão iraquiano.

O Iraque prepara um “holocausto” para os soldados da coalizão anglo-americana que atacam o país, disse o chanceler Naji Sabri. “A cada dia que passa, os EUA e o Reino Unido estão se afundando na lama da derrota”, anunciou.

A entrevista coletiva do chanceler iraquiano, que aconteceu no Ministério da Informação, teve de ser interrompida devido a mais uma onda de bombardeios contra Bagdá. O prédio foi atingido.

“As forças militares da coalizão são colonizadoras e buscam desmantelar o Iraque”, avaliou Sabri. Mas, afirmou o ministro: “mais de 5 mil voluntários chegaram de todos os países árabes para combatê-los”. Declaração similar foi feita por outras autoridades iraquianas no fim de semana. Esses combatentes, vindos de outros países árabes ou islâmicos, estariam dispostos a cometer ataques suicidas contra as tropas invasoras.

O ministro da Informação do Iraque, Mohammed Saeed al-Sahaf, espécie de porta-voz do governo, anunciou que, nas últimas 36 horas, 43 americanos e britânicos foram mortos em combate. Os EUA e o Reino Unido negam essa versão.

Segundo o ministro, as forças iraquianas também destruíram quatro helicópteros Apache, dois aviões americanos não-tripulados, 13 tanques e seis blindados. “Vocês irão ver que em breve eles admitirão essas informações”, afirmou Sahaf em entrevista coletiva em Bagdá. Ele se recusou a fornecer os números sobre as perdas iraquianas.

O uso de suicidas em atentados foi defendido por Sahaf. “A resistência, em todas as suas formas, é legítima”, alegou.

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