Regional

Pássaros ganham mais um refúgio

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

São Carlos - Depois de uma área de 52 hectares de mata nativa em Presidente Alves ser classificada no mês passado pelo Ibama como um paraíso ecológico, ideal para animais silvestres, surge agora em São Carlos um novo refúgio para os passarinhos. Trata-se de um recinto para preservação de aves da região.

O projeto surgiu de uma parceria entre a Fábrica de Motores Volkswagen de São Carlos e o Parque Ecológico “Dr. Antônio Teixeira Vianna” (Pesc). Desta vez será criado um viveiro para as aves, que deve estar aberto ao público em abril próximo.

Com o investimento, amplia-se a infra-estrutura do parque para trabalhos relativos à conservação, lazer e educação. O diretor do Pesc, Fernando Magnani, explica que a proposta é criar condições para que os visitantes possam apreciar e contemplar as aves em um ambiente o mais natural possível.

Para isso será construído um grande viveiro de aves no Pesc, com aproximadamente 400 metros quadrados e sete metros de altura. O projeto prevê que os visitantes possam caminhar no interior do recinto, ambientado com uma vegetação exuberante, que irá reproduzir a flora de mata galeria - matas que crescem próximo a córregos e rios.

A circulação do público será feita sobre uma passarela suspensa e pequenas pontes sobre espelhos dágua interligados. Está programada ainda, uma cascata dentro do aviário.

A entrada e a saída da passarela serão feitas por meio de ante-salas - câmaras escuras (distintas), que, já no interior do viveiro, terão vidros separando o público do ambiente das aves, permitindo também a observação dos animais.

Os futuros ocupantes do aviário estão entre os triados pelo Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) - instalado dentro do Parque -, que recebe apreensões de animais de órgãos fiscalizadores, faz a triagem e, depois de recuperar os animais que precisam de cuidados, os devolve à natureza.

Como nem sempre é possível libertá-los, os pássaros já têm “residência garantida”. Dos cerca de oito mil animais triados no local, a maioria é constituída de aves regionais, que muitas vezes não podem mais ser soltas. Em alguns casos, a crueldade da captura ilegal e do tráfico de animais causam problemas físicos que comprometem a capacidade de sobrevivência em seu habitat natural.

Estas aves, em sua maioria características da região, agora terão um espaço adequado para viver e se reproduzir.

São sabiás-laranjeiras trinca-ferros, canários da terra, curiós, entre outros. Além de não ficarem restritos a pequenas gaiolas, estes animais silvestres passarão a ter valor educacional e um importante papel no processo de conscientização quanto à importância da preservação da fauna e da flora regionais.

A construção do aviário está começando e em abril do próximo ano as obras devem estar concluídas.

Histórias e preservação

Magnani tem um acervo de histórias que recolheu da observação do comportamento de freqüentadores do Parque Ecológico, que recebe por mês mais de 16 mil visitantes. O aviário vai propiciar o lazer contemplativo que já é praticado por algumas pessoas.

Magnani revela que há gente que já se tornou “freguês” do Pesc por curtir identificar os tipos de aves do Parque Ecológico. São horas de observação e muitas discussões entre visitantes para se identificar as aves.

Devido às dúvidas no reconhecimento de pássaros, ele conta que há casos de gente que volta com outras pessoas para confirmar com precisão a identidade de uma determinada ave. Isso pode durar dias até que a pendência seja completamente desfeita.

Com o aviário, essa prática pode ser ampliada justamente com o objetivo de conscientizar as pessoas do grave erro em aprisionar aves, prática ainda muito comum e que causa danos muitas vezes irreversíveis a espécies.

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