Barra Bonita - A integração turística entre Barra Bonita e Igaraçu do Tietê, sugerida pelo mestrando Miguel Angelo Napolitano, é hoje uma realidade. A constatação é da diretora do Departamento de Turismo de Barra Bonita, Sabrina Fernanda Prado.
De acordo com ela, a integração ainda está em seu estágio inicial, mas já pode ser percebida.
Com o avanço de Igaraçu no campo da hotelaria, Sabrina afirmou que muitos turistas visitam Barra Bonita, fazem passeios de barco, mas se hospedam na cidade vizinha.
Ela lembrou também que os investimentos feitos pela prefeitura de Igaraçu na área turística têm surtido efeito e muitas pessoas, até mesmo de Barra Bonita, têm atravessado a ponte para se divertir do outro lado do rio.
“Igaraçu tem o mesmo potencial turístico que nós temos. Apenas estamos mais adiantados (nesse campo) porque começamos antesâ€, analisou a diretora.
De acordo com Sabrina, Barra Bonita passou a ser estância turística em 1979. Desde então, a cidade tem investido em sua rede hoteleira e nos atrativos turísticos que possui.
Igaraçu só foi reconhecida pelo governo estadual como estância em 1994. Ou seja, 15 anos depois de Barra Bonita.
Nesse intervalo de tempo, Igaraçu investiu muito pouco no turismo e acabou ofuscado pelo sucesso da cidade vizinha. Agora, aos poucos, o município tenta recuperar o tempo perdido. A inauguração do complexo de lazer Igaraçu Park, às margens do rio Tietê, no último dia 20, é um exemplo disso.
Na opinião da diretora, a visão de Napolitano está correta. Ela também concorda com a tese de que a união das duas cidades, particularmente na área turística, só trará benefícios. “O desenvolvimento do turismo pode gerar benefícios para as duas cidadesâ€, acredita.
A afirmação é compartilhada por Luiz Emídio, da área econômica de Igaraçu.
No entanto, ele acredita que a rivalidade econômica entre as duas cidades pode atrapalhar a integração.
Pessoalmente, Emídio não vê futuro para a idéia do advogado. “Pode ser que a integração seja feita de uma maneira política. Mas mesmo assim acho difícilâ€, opinou.
Em 34 anos de prefeitura, Emídio disse que já vivenciou muitas “brigas†entre as duas administrações públicas. Segundo ele, a rixa vem desde o início do século passado, quando Igaraçu era distrito de Barra Bonita.
Atualmente, uma das maiores disputas entre elas envolve o repasse de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) pago pela AES Tietê, que administra a antiga Cesp.
Todo dinheiro arrecadado fica em Barra Bonita e isso tem desagradado profundamente os igaraçuenses. Segundo Emídio, existe em tramitação na Assembléia Legislativa um projeto que pede a redistribuição do ICMS.
Como exemplo da disparidade econômica que existe entre as duas cidades, Emídio citou justamente o ICMS. Segundo ele, Barra Bonita arrecada sete vezes mais do que Igaraçu.
Apesar dessa discrepância, as duas têm quase a mesma população e a mesma área territorial.
Segundo Emídio, a comparação entre as duas administrações é uma constante entre os moradores.
“A população fica falando que fulano está sendo melhor que sicrano e isso acaba estimulando os prefeitos a melhorarem seus desempenhosâ€, contou ele.