Mais do que simples misticismo ou atividade física, o yoga é uma prática milenar que reúne atitudes, gestos, posturas e pensamentos voltados à promoção do desenvolvimento humano. Nela, o homem é visto como um todo: corpo, psiquê, espírito e emoção. A palavra tem origem no sânscrito e significa união, integração.
De acordo com a Confederação Brasileira de Yoga (www.brasil.yoganet.org), descobertas arqueológicas de 1952 teriam comprovado que a origem do yoga é européia e data aproximadamente de 10 mil a 15 mil anos a.C. O conhecimento teria sido levado à Índia pelos povos mediterrâneos (drávidas) por volta de 3,5 mil anos a.C.
No livro “Faça yôga antes que você preciseâ€, mestre DeRose conta que certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos extremamente sofisticados e bonitos, porém instintivos. A linguagem corporal não era propriamente um ballet, mas havia sido visivelmente inspirada na dança.
A beleza dos movimentos chamou a atenção da sociedade e muitas pessoas pediram que o bailarino lhes ensinasse sua arte. No início, o método não tinha nome, era algo espontâneo e instintivo. Enquanto viveu, o bailarino transmitiu boa parte de seu conhecimento. Seus discípulos, preservando a técnica, teriam assumido a missão de retransmiti-la sem modificações.
Segundo o livro, isso teria acontecido a Noroeste da Índia há mais de 5 mil anos, no Vale do Indo, habitado pelo povo drávida, de cultura matriarcal e naturalista. Escavações do século 19 teriam comprovado tratar-se de uma das mais avançadas civilizações da antigüidade.
As cidades eram cortadas por largas avenidas, as casas tinham dois andares, instalações sanitárias, esgoto coberto e água corrente. Havia plataformas elevadas para facilitar carga e descarga e até mesmo os brinquedos eram sofisticados, com rodas que giravam e bonecas com cabelo implantado - tudo isso 3,5 mil anos antes de Cristo.
Cerca de 1,5 mil anos a.C., a arte foi absorvida por outro povo - guerreiro, místico e patriarcal -, o oposto aos drávidas. Então, o yoga recebeu uma releitura por Pátañjali e a partir daí dividiu-se em inúmeras linhas.
De acordo com o mestre Antonio Fernando Campos Lima, depois de Pátañjali, vários outros grupos adotaram a técnica. Ao invés de usá-la como um todo, alguns passaram a privilegiar um ou outro aspecto do conjunto, o lado físico, o lado mental, o lado emocional. Hoje são centenas de linhas diferentes, a maioria com vínculos religiosos ou místicos.
Lima, que trabalha com a filosofia mais antiga, salienta que o yoga não foi criado para pessoas doentes, mas para pessoas saudáveis que querem aumentar seu bem-estar e aprimorar sua condição física e emocional.
“Ele busca a integração do indivíduo com si mesmo, tornando-o organizado, centrado, saudável e equilibrado. O yoga é uma forma de esvaziar-se de todos os moldes da sociedade e, assim, transcender traumas, tabus e preconceitos. É um mecanismo de autocuraâ€, comenta.
“O essencial desta técnica é a meditação. O yoga é para pessoas que querem meditar. Conseqüentemente, ele traz todos os benefícios do autoconhecimento. Quando você se conhece, você cura muitas coisas em si mesmoâ€, concorda a professora Isabel Figueiredo.
Os mestres afirmam que a concentração é fundamental para se obter bons resultados com o yoga. “Muita gente pode fazer os movimentos de yoga e não estar praticando yogaâ€, salienta Figueiredo.
Na prática, o yoga é uma filosofia de vida que inclui hábitos alimentares, comportamentais, físicos e emocionais. Ele está ligado ao conceito de que tudo na natureza vive em constante movimento, portanto, o ser humano deve manter-se ativo e dançante sempre.