Saúde

Yoga: gestos que equilibram o corpo e a mente

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Mais do que simples misticismo ou atividade física, o yoga é uma prática milenar que reúne atitudes, gestos, posturas e pensamentos voltados à promoção do desenvolvimento humano. Nela, o homem é visto como um todo: corpo, psiquê, espírito e emoção. A palavra tem origem no sânscrito e significa união, integração.

De acordo com a Confederação Brasileira de Yoga (www.brasil.yoganet.org), descobertas arqueológicas de 1952 teriam comprovado que a origem do yoga é européia e data aproximadamente de 10 mil a 15 mil anos a.C. O conhecimento teria sido levado à Índia pelos povos mediterrâneos (drávidas) por volta de 3,5 mil anos a.C.

No livro “Faça yôga antes que você precise”, mestre DeRose conta que certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos extremamente sofisticados e bonitos, porém instintivos. A linguagem corporal não era propriamente um ballet, mas havia sido visivelmente inspirada na dança.

A beleza dos movimentos chamou a atenção da sociedade e muitas pessoas pediram que o bailarino lhes ensinasse sua arte. No início, o método não tinha nome, era algo espontâneo e instintivo. Enquanto viveu, o bailarino transmitiu boa parte de seu conhecimento. Seus discípulos, preservando a técnica, teriam assumido a missão de retransmiti-la sem modificações.

Segundo o livro, isso teria acontecido a Noroeste da Índia há mais de 5 mil anos, no Vale do Indo, habitado pelo povo drávida, de cultura matriarcal e naturalista. Escavações do século 19 teriam comprovado tratar-se de uma das mais avançadas civilizações da antigüidade.

As cidades eram cortadas por largas avenidas, as casas tinham dois andares, instalações sanitárias, esgoto coberto e água corrente. Havia plataformas elevadas para facilitar carga e descarga e até mesmo os brinquedos eram sofisticados, com rodas que giravam e bonecas com cabelo implantado - tudo isso 3,5 mil anos antes de Cristo.

Cerca de 1,5 mil anos a.C., a arte foi absorvida por outro povo - guerreiro, místico e patriarcal -, o oposto aos drávidas. Então, o yoga recebeu uma releitura por Pátañjali e a partir daí dividiu-se em inúmeras linhas.

De acordo com o mestre Antonio Fernando Campos Lima, depois de Pátañjali, vários outros grupos adotaram a técnica. Ao invés de usá-la como um todo, alguns passaram a privilegiar um ou outro aspecto do conjunto, o lado físico, o lado mental, o lado emocional. Hoje são centenas de linhas diferentes, a maioria com vínculos religiosos ou místicos.

Lima, que trabalha com a filosofia mais antiga, salienta que o yoga não foi criado para pessoas doentes, mas para pessoas saudáveis que querem aumentar seu bem-estar e aprimorar sua condição física e emocional.

“Ele busca a integração do indivíduo com si mesmo, tornando-o organizado, centrado, saudável e equilibrado. O yoga é uma forma de esvaziar-se de todos os moldes da sociedade e, assim, transcender traumas, tabus e preconceitos. É um mecanismo de autocura”, comenta.

“O essencial desta técnica é a meditação. O yoga é para pessoas que querem meditar. Conseqüentemente, ele traz todos os benefícios do autoconhecimento. Quando você se conhece, você cura muitas coisas em si mesmo”, concorda a professora Isabel Figueiredo.

Os mestres afirmam que a concentração é fundamental para se obter bons resultados com o yoga. “Muita gente pode fazer os movimentos de yoga e não estar praticando yoga”, salienta Figueiredo.

Na prática, o yoga é uma filosofia de vida que inclui hábitos alimentares, comportamentais, físicos e emocionais. Ele está ligado ao conceito de que tudo na natureza vive em constante movimento, portanto, o ser humano deve manter-se ativo e dançante sempre.

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