Conviver com a deficiência já é difícil, ainda mais num bairro carente de infra-estrutura. Esse drama já faz parte da vida de Andréia Godeguezi de Andrade, que deixou de circular com sua cadeira de rodas pela rua do bairro onde mora, na Vila Popular-Ipiranga, devido aos buracos.
“Antigamente, quando passavam máquina aqui, na rua José Santiago, eu conseguia sair de casa. Mas agora é muito perigoso, porque a cadeira não passa. Nunca cai, mas também não me arriscoâ€, conta.
Segundo a mãe dela, Maria Pedrina, a erosão também é responsável pela falta de água, pois as tubulações da rede do Departamento de Água e Esgoto (DAE) ficam expostas e mais vulneráveis a rompimentos.
“Já reclamamos junto à prefeitura várias vezes, mas ninguém resolve o problema, que piorou após o início das obras de um residencial ao lado. Fecharam uma rua pela qual passávamos. Agora estamos perdidos. Além disso, a água e o barro que descem da obra entram em casa. Qualquer hora meu muro vai cairâ€, queixa-se.
Sua vizinha, Sandra Alves Vieira, que também mora na quadra 15 da mesma via pública, confirmou que as condições da rua pioraram devido à instalação do residencial. Porém, mesmo antes da obra, os moradores já haviam enviado à administração municipal um abaixo-assinado cobrando providências, segundo informa Maria Aparecida do Nascimento.
“Cada vez que chove, o buraco abre mais. A prefeitura falou que para ter a rua asfaltada a comunidade deveria despender R$ 5 mil. Não temos como pagar o asfalto comunitário. Ontem, um carro caiu num dos buracos e os homens da rua tiveram de se juntar para tirá-lo de láâ€, conta Angélica, uma das irmãs de Andréia.
Sem previsão
De fato, a secretaria Municipal de Obras não tem previsão para pavimentar a rua José Santiago. Contudo, segundo a Secretaria das Administrações Regionais (Sear), a regional da Independência vai receber máquinas hoje, que possibilitarão o serviço de terraplanagem no local. Durante a semana, o trabalho será executado.
Já a secretária municipal do Planejamento, Maria Helena Rigitano, informa que essa fase de incômodo em função da instalação do residencial é provisória.
“Os responsáveis pelo loteamento estão fazendo a infra-estrutura necessária, que é exigida do loteador. Estão providenciando rede de água, esgoto, guias e sarjetas, galeria de águas pluviais, rede elétrica, além da pavimentação e arborização. Quando tudo for concluído, vai melhoraar muito para a população do Popular- Ipirangaâ€, explica.
O loteador tem dois anos para executar o serviço, mas na opinião dela, o trabalho será concluído antes deste prazo porque existe interesse em comercializar os lotes com rapidez.