Dez dias após o último reajuste no preço dos combustíveis, o valor do litro da gasolina em Bauru está praticamente assentado na faixa de R$ 2,21 a R$ 2,23. Os postos da cidade já repassaram às bombas o aumento de 12,8% no produto e quem tinha estoque já passou a trabalhar com a gasolina “novaâ€.
Com isso, foi possível eliminar em grande parte a disparidade de preços verificada até o fim da última semana, quando a gasolina era encontrada em Bauru a preços que variavam de R$ 2,03 a mais de R$ 2,25 por litro.
Para os proprietários de postos, a estabilização do valor da gasolina se traduz em margem de lucro mais “tranqüilaâ€, de no mínimo R$ 0,20 por litro. Até há dois meses, devido a condições impostas pelas grandes distribuidoras, os empresários trabalhavam com margem ao redor de R$ 0,14 - uma “loucuraâ€, na opinião de proprietários consultados pelo JC.
O empresário Edvaldo Tuschi, dono de oito postos de combustíveis na cidade, afirma que o alto preço da gasolina se deve às distribuidoras, que repassaram integralmente o aumento de 12,8% ao valor de venda da gasolina. Ele apresenta notas de compra da Texaco e da Shell desta semana, com preços de 1,904 e 1,915 por litro. O valor anterior da Shell, por exemplo, era de R$ 1,70.
Para Tuschi, o grande problema da gasolina é a obrigatoriedade de adição de 25% de álcool anidro ao produto. “Por que não aparece no mercado combustível mais barato? Porque não tem álcool para comprarâ€, diz o empresário. E completa: “A palavra-chave hoje é álcool.†Antes do aumento, o litro do álcool custava R$ 0,90, e hoje sai por R$ 1,10.
Tuschi acredita, no entanto, em uma “tendência de queda†no preço da gasolina. Para ele, dependendo da capacidade do posto a gasolina, pode cair até a R$ 2,15. “Nós temos um excedente de gasolina muito grande (no Brasil)â€, declara.
O empresário acredita que com um tabelamento de margem pelo novo governo, os proprietários de postos poderiam trabalhar com melhor margem de faturamento por litro, sem depender do sobe-e-desce do preço nas distribuidoras. “A última tabela que o governo lançou de margem, há alguns anos, foi de R$ 0,22. E antes desse aumento (do dia 29 de dezembro) nós estávamos trabalhando com R$ 0,14 de margemâ€, compara.
Distribuição
O proprietário de uma distribuidora de combustíveis, Francisco Simões Barbosa, afirma que a estabilização dos preços é positiva para os empresários do setor. “Os proprietários estão recuperando um pouco a margem, coisa que não tinham antesâ€, diz. E conclui: “O posto que trabalhar com menos de R$ 0,20 de margem (por litro) não sobrevive.â€
Barbosa declara que está esperando melhoras no mês de fevereiro, quando a Assembléia Legislativa do Estado votará projeto para diminuir a alíquota de Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o álcool de 25% para 12%. “Se acontecer isso (a aprovação), talvez tenha algum reflexo de diminuição na bombaâ€, observa.
O empresário relata que apenas quem consegue comprar o álcool anidro mais barato junto às usinas pode oferecer um preço mais acessível aos postos - e, conseqüentemente, aos consumidores. “Há seis meses, pagávamos R$ 0,46 no álccol anidro. Hoje pagamos R$ 0,92: é muito caroâ€, afirma Barbosa. Segundo ele, sua gasolina é comprada na refinaria a R$ 1,85 - “sem mais nenhum custo†- e vendida aos postos a cerca de R$ 1,95.
O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), Sebastião Homero Gomes, não foi encontrado pela reportagem para comentar sobre o assunto.
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Álcool
Apesar da gasolina - combustível mais popular - ser o centro das preocupações dos consumidores, o álcool está chegando a níveis cada vez mais elevados. O empresário Edvaldo Tuschi, proprietário de postos de combustíveis em Bauru, relata que o litro do álcool é comprado da distribuidora a uma média de R$ 1,24 - e vendido a R$ 1,33 na bomba. “Com esses R$ 0,09 (de margem) não paga nem energia elétricaâ€, diz.
Numa distribuidora de combustíveis da região, o preço do litro de álcool, além da influência das usinas, depende da forma de pagamento dos postos. O valor de venda varia entre R$ 1,10 e R$ 1,15. Na bomba, o litro do produto está saindo por volta de R$ 1,30.