Cultura

Alegria é a folia

Simone Simões
| Tempo de leitura: 3 min

Ontem foi Dia de Santo Reis, e para comemorar a data o único grupo de Folia de Reis de Bauru manteve a tradição e se apresentou em casas e igrejas da cidade para homenagear os três Reis Magos, que levaram presentes e proteção ao Menino Jesus, em Belém.

A festa começou no sábado com uma apresentação nas ruas do Núcleo Mary Dota, em Bauru. Domingo, o grupo se apresentou para o público que lotou a Igreja Santa Rita, na Vila Independência. Ontem foi a vez de moradores do Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16) prestigiar a festa, que terminou com a chegada da bandeira da Folia de Reis na casa de Antônio Correia, 66 anos, embaixador e mestre da Folia de Reis na cidade.

Chegando da rua, os foliões carregam a bandeira com a representação dos três Reis Magos acompanhados pelos fogos e cantam a história do nascimento de Jesus, de porta em porta, abençoando o lugar. A música, que funciona como um aviso de chegada e boas-vindas, é tirada das violas, violão, cavaquinho, pandeiro e a caixa (zabumba) tocados por oito músicos do grupo bauruense. Os palhaços vêm na frente abrindo passagem, com roupas coloridas, máscaras de pele e bastões, vão brincando com as crianças e dizendo seus versos.

O grupo de Bauru conta hoje com cerca de dez integrantes entre músicos e palhaços, mas já foi maior, chegou a possuir 15 integrantes. Segundo Correia, este é o quarto ano do grupo na cidade, mas a sua existência data de meados dos anos 70. O mestre organiza o grupo, puxa os cantos e faz a primeira voz. O contra-mestre é a pessoa que substitui o mestre, faz a segunda voz na cantoria. O folião que carrega a bandeira é chamado de bandeireiro. A bandeira, sempre repleta de ornamentos religiosos, é o símbolo da Folia.

De acordo com Correia, cerca de 200 pessoas estiveram presentes ontem no encerramento da Festa de Reis deste ano. O grupo visitou muitas casas no Bauru 16 acompanhado por muitas crianças e promete manter a tradição no próximo ano.

Enfeites de Natal

O Dia de Santo Reis é tradicionalmente o dia em que devotos desmontam todo os enfeites natalinos colocados em suas casas. São recolhidos neste dia árvores, luzes, guirlandas, presépios, velas, etc.. O decorador bauruense Paulo Keller não quebra nunca a tradição, todos os anos desmonta sua Árvore de Natal e guarda os enfeites.

A explicação para a tradição, segundo Keller, vem da história. Sempre em dezembro começam as comemorações natalinas com a coroa do advento e os enfeites. Passado o dia do Natal e as festas de final de ano, começa a comemoração do Dia de Santo Reis. Foi neste dia que os três reis magos Baltazar, Belchior e Gaspar levaram presentes para o Menino Jesus. O rei Herodes, inquieto com o nascimento de Jesus, foi iludido pelos reis magos que esconderam todos os indícios de que o Menino Jesus teria nascido. O conhecido como o Dia da Fuga para o Egito.

“Assim que eles foram, eis que apareceu um anjo do Senhor em sonhos a José e lhe disse levanta-te e toma o Menino, a sua mãe, e foge para o Egito, e fica lá até eu te avise. Porque Herodes há de buscar o Menino para o matar” (S. Mateus 2:13). Sabendo disso, Herodes irou-se e mandou matar todos os meninos que haviam em Belém.

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