Polícia

Suspeito nega ter matado jornalista

Da Redação
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Em depoimento à Polícia Civil ontem, Paulo Leandro Celestino de Lima, 25 anos, preso anteontem em Duartina, negou ter assassinado o jornalista Paulo Luís Ferraz Júnior, 24 anos. Ele acusou o adolescente, já apreendido, de ter matado o rapaz.

O jornalista foi morto no último dia 20 e seu corpo foi encontrado no Núcleo Fortunato Rocha Lima uma semana depois. Paulo Leandro, ontem foi interrogado pelo delegado-titular do 1.º Distrito Policial de Bauru, Ronaldo Divino.

O delegado conta que Paulo Leandro acusou o menor, que já está em posse da Vara da Infância e da Juventude. O adolescente, por sua vez, havia confessado a participação no caso e afirmou ter assistido Paulo Leandro matar Ferraz Júnior.

Porém, Paulo Leandro apresentou versão contrária à do adolescente. Segundo ele, no dia do crime, o menor e a vítima, que até então ele não conhecia, chegaram em sua casa por volta das 12h.

Paulo Leandro afirmou que saiu para comprar um refrigerante para os dois e quando voltou o menor já havia matado o jornalista no banheiro. Paulo Leandro diz que seus filhos pequenos estavam brincando no quintal da casa na hora do assassinato.

No depoimento, ele relatou que quando viu o rapaz morto mandou as crianças para rua e junto com o menor decidiu enterrar o corpo nos fundos de sua casa, o que fizeram.

Ao delegado, ele disse ter participado somente do enterro do jornalista e ter ficado com seus cartões de crédito, que depois jogou fora. Segundo o depoimento de Paulo Leandro, o menor deveria buscar o corpo à noite, o que não fez.

Por isso, na madrugada ele desenterrou o corpo, o enrolou em um cobertor e o carregou até um matagal próximo à rodovia Bauru/ Marília, onde foi encontrado sete dias depois pela Polícia Civil.

Segundo Paulo Leandro, o jornalista foi assassinado por volta das 12h30 do dia 20, dia que desapareceu, com uma facada no pescoço. Paulo Leandro não soube dizer onde estava a arma do crime e afirma não ter conversado com o menor depois do dia do assassinato.

Para o delegado, Paulo Leandro está tentando transferir a culpa do crime para o menor, mas as provas da investigação apontam para ele. Divino acredita que o menor não teria porque mentir em seu depoimento, em que acusou Paulo Leandro, já que não está sujeito as penas previstas pelo Código Penal.

Ainda segundo o delegado, o menor não será interrogado novamente e nem haverá acareação, pois a polícia não tem dúvida de que Paulo Leandro é o autor do crime. A polícia chegou a Paulo Leandro, que é fugitivo do Instituto Penal Agrícola (IPA) desde fevereiro do ano passado, através de informações do adolescente.

O delegado afirma que existe outra testemunha que viu o corpo do jornalista no quintal de Paulo Leandro e que seu nome será preservado. Esta testemunha, segundo Divino, não denunciou o fato à polícia por medo de sofrer represália.

O talão de cheques, os cartões de crédito e toca-CDs furtados do jornalistas não foram encontrados. Até ontem também não havia sido registrado o uso do cheque e dos cartões da vítima, diz Divino.

Paulo Leandro permanece preso na Cadeia Pública de Bauru, onde fica até a conclusão do inquérito. Ele já é condenado por furtos e roubos em Bauru e tem quatro processos em andamento. Segundo Divino, as investigações devem ser concluídas em 30 dias e depois o acusado será transferido para penitenciária.

Divino diz que Paulo Leandro pode ser condenado de 20 a 30 anos de prisão e ter a pena agravada por ter cometido o crime ao lado de um menor. O adolescente ficará no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) até decisão da Vara da Infância e da Juventude, que pode libertá-lo ou encaminhá-lo para Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem).

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