Pesca & Lazer

Aventura incrível


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Estamos de volta, caros amigos deste imperdível caderno do JC. Embora com muita saudade dos dois enormes dourados que soltamos no rio Paraná (um era cego, lembram?), fato contado em nossa última história, voltamos ao rancho do amigo Moita, lá no mesmo rio Paraná, em Castilho.

Juntos novamente, eu, o Moita e o “Tio Bu”, o melhor piloteiro que nós conhecemos! Desta vez, o rio estava tranqüilo como um lago. Nem parecia o gigante “Paranazão”. Águas mansas como nunca se viu. Seria, talvez, a total ausência de vento que nos possibilitava aquela paz e quietude. Tal situação nos motivou a uma pesca de “rodada”. “Tio Bu”, cansado que estava da viagem, preferiu ficar no rancho tomando uma “latinha” bem gelada.

Lá fomos nós, o Moita e este apaixonado pela natureza. Grandes molinetes, linha 80, chumbadas pesadas e iscas vivas (pequenos lambaris) formavam nossa “tráia pesada”, com a intenção clara de capturarmos os maiores peixes que por ali estivessem. O tempo nos ajudava, pois o sol se escondera atrás das densas nuvens, e o leito do enorme rio era agraciado por uma sombra sem fim...

Soltamos o barco ao sabor da corrente, sem pressa, contemplando a exuberante beleza das margens do rio, de onde frondosas árvores floridas nos sorriam e as alvas garças se lançavam ao espaço, naquele final de tarde, dando-nos uma sensação de paz e tranqüilidade.

Entre uma fisgada e outra, saboreávamos um “gole” da deliciosa pinga “amarelinha de Lençóis Paulista”, cujo garrafão já mostrava estar quase pela metade. Quatro pintados e oito pacus de bom tamanho já se amontoavam no fundo barco, que descia o rio lentamente. Com a ajuda da “marvada pinga”, inevitavelmente, pegamos no sono...

Após um longo período, acordamos assustados. O sol já estava alto. Incrível! Sem nos darmos conta, tínhamos passado a noite toda no rio! Surpresos, aproximamo-nos da margem, cuja paisagem lembrava uma periferia de cidade, com casas situadas longe uma das outras e de estilo diferente. Para nossa sorte, havia um senhor pescando, sentado sobre as pedras que margeavam o rio. Angustiados, perguntamos ao pescador solitário: “Senhor, por favor, poderia nos dizer em que lugar estamos?” E veio a resposta arrasadora: “Ustedes están en la Província de Corrientes, bienvenidos a la Argentina!”

Em plácido sono, havíamos passado por Panorama, Presidente Epitácio, Rosana... Só não perguntem como passamos pela barragem de Porto Primavera. Com certeza foi pela eclusa! E como diria aquele senhor da “Terra do Tango”: “Ustedes no sabem lo peor”, pois tivemos que vender o barco, o motor e os peixes para pagarmos as passagens de avião de volta ao Brasil! Ainda bem que a passagem de ida foi de graça! Um abraço “verdadeiro” a todos os pescadores do Brasil! (Fernando Lucilha Júnior é pescador e contador de “causos” verídicos)

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