Economia & Negócios

Briga envolve chapas rivais do Sindtran

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Mais um capítulo na conturbada eleição para a diretoria do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Bauru (Sindtran): uma pancadaria na garagem da empresa Grande Bauru, na madrugada de ontem, entre membros das chapas rivais. A eleição está marcada para os dias 13 e 14.

De acordo com um dos articuladores da oposição, o motorista Glaudinês Belmiro da Silva, a agressão ocorreu quando ele e o cobrador Ronaldo Aparecido Sanches faziam uma panfletagem na garagem, por volta das 5h de ontem, em um carro de som. Segundo Silva, cerca de 30 pessoas tiraram os dois do carro e os agrediram com chutes.

A Polícia Militar e funcionários da empresa teriam apartado a briga. Silva e Sanches registraram Boletim de Ocorrência relatando a agresão, e ontem se submeteram a exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

Silva afirma que os responsáveis pela agressão são seguranças contratados pelo atual presidente do Sindtran, Elias Pinheiro. “Têm só uns dois (do grupo) que são delegados de federação, o resto é tudo segurança”, diz o motorista. E completa: “Eles inclusive pegaram nossos panfletos e jogaram na pista, rasgaram.”

Sanches conta que levou chutes, socos e tapas na cabeça. Para ele, o único motivo da agressão é político. “A gente está sentido porque ainda não perdemos a eleição”, declara.

Pinheiro, do Sindtran, afirma que os membros da oposição foram agredidos porque “vêm irritando o pessoal”. Segundo ele, há mais de dez dias Silva e Sanches levam o carro de som às garagens, sempre para dar “pauleira” na atual direção da entidade. “Eles (a oposição) vêm preconizando a quatro ventos que vão tomar o sindicato de Bauru, que vão tumultuar”, diz.

Pinheiro afirma que a briga de ontem é coisa “normal” nas disputas sindicais, apesar de ele discordar de atitudes desse tipo. “Hoje (ontem) na porta da garagem tinha umas 30 pessoas, que vinham dos sindicatos de Santos, São Paulo, São José do Rio Preto e houve lá um desencontro por conta das críticas”, relata.

O presidente do sindicato admite que entre os envolvidos na briga de ontem há pessoas que fazem a sua segurança. “Eu tenho aqui, sim, algumas pessoas, uma meia dúzia de pessoas que são seguranças, mas tudo isso porque eu recebi uma grande quantidade de ameaças”, diz Pinheiro.

Até o fechamento desta edição, a Justiça ainda não havia expedido uma liminar aguardada pela chapa de oposição, que permitiria sua participação nas eleições de segunda-feira e terça-feira.

A canditatura foi impugnada pela direção da entidade há pouco mais de uma semana, por suposta falta de documentação. Antes disso, a diretoria do Sindtran teve de republicar o edital de convocação para as eleições, que fora publicado em jornal fora da base do sindicato.

“Estamos aguardando uma liminar da Justiça, mas, independente disso, é o povo quer mudança”, diz o motorista Silva, cuja chapa tem apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O presidente do Sindtran, por outro lado, afirma que não tem receio de disputar a diretoria no voto. “Se até lá eles conseguirem condição de participar do processo eleitoral, vão participar normalmente”, declara Pinheiro.

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