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Aventura exigiu intensa preparação

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Explorar, a pé, um local paradisíaco com fantásticas belezas naturais e praticamente ainda intocado pela ação degradadora do homem. Essa foi a idéia de um grupo de amigos bauruenses, composto por Silvio Serrano e pelo casal Waldete e Antonio Machado, que no final do ano passado organizaram um trekking - caminhada - em plena Patagônia.

Localizada no extremo sul do continente, a Patagônia é mundialmente conhecida como a terra dos carneiros e dos guanacos, mas também do frio e do vento congelantes e de um povo acostumado a viver em condições extremas.

O ponto escolhido para a aventura foi o parque nacional Torres Del Paine, criado em 1959 e localizado no sul do Chile, entre o maciço da cordilheira dos Andes e a estepe patagônica da província de Última Esperança, que abriga o que há de melhor da região: imensos blocos de granito, milenares campos de gelo, rios e lagos que vão do azul turquesa ao verde esmeralda.

Escolhida a data da partida - sete de novembro -, o trio iniciou a preparação física e mental a fim de se prevenir para o tamanho do desafio que iriam enfrentar. “Estar muito bem fisicamente e psicologicamente é fundamental, pois lá precisamos de cada músculo do corpo”, alerta Serrano.

Outro passo foi adquirir vários equipamentos específicos para este tipo de trekking, como botas de Gore-tex para enfrentar todo tipo de terreno, casacos corta-vento, calças impermeáveis, mochilas e alimentos desidratados. “Pensamos naquilo que nos desse o máximo de conforto num lugar desprovido de tudo”, conta Serrano.

O estudo de mapas, trajetos e reportagens sobre a Patagônia também foi decisivo para traçar o trajeto e as estratégias para superá-lo. Graças ao minucioso planejamento, o grupo descobriu haver duas maneiras de conhecer o parque. O primeiro é através de um circuito chamado “W”, que percorre uma rota mais leve.

O outro, escolhido pelo trio bauruense, é fazer o grande circuito, que contorna todo o parque percorrendo montanhas nevadas, atravessando rios, florestas e glaciares em um trajeto que pode durar de seis a oito dias conforme as condições climáticas. “Quem optar pelo grande circuito, só deve ir se estiver determinado, porque é muito difícil e não tem como abandoná-lo no meio”, aconselha Serrano.

A partida

Com tudo pronto, era hora de “cair” na estrada. Silvio parte de Bauru, no dia seis de novembro, para se encontrar no dia seguinte com o casal Antonio e Waldete em Santiago, Capital do Chile. De lá, seguiram para Punta Arenas, considerada a porta de entrada da Patagônia chilena.

Em 8 de novembro, aterrisam em Punta Arenas com um frio que castigava e já dava uma idéia do que os esperava. Quem os esperava era o casal Manuel e Eliana, donos de um hotel onde dormiriam à noite. “Vieram nos buscar em seu carrinho igual ao do Mr. Bean, caindo aos pedaços e com o vidro da frente quebrado, comum naquele lugar, pois as estradas cheias de pedregulhos fazem estragos nos veículos de lá”, conta Serrano.

Ao chegar ao hotel, ou conforme o aventureiro, “na casa dele que transformou numa pousada totalmente bagunçada”, o trio foi recebido por uma divisão da aeronáutica que estava hospedada para treinamento na região. “Era uma galera muito simpática, que nos deixou à vontade”, lembra ele.

Como o cansaço já batia, todos foram para o quarto, que não tinha muito conforto. “Acho que para irmos nos acostumando com o que vinha pela frente”, brinca Serrano. No dia seguinte, o grupo acordou bem cedo, tomaram café e, com ajuda do Manuel, compraram passagens de ônibus para Puerto Natales, considerada base para quem quer conhecer Torres Del Paine.

Após três horas, o trio chegava a Puerto Natales, onde puderam avistar vastas planícies com imensas fazendas de carneiros e, em todos os cantos, árvores retorcidas pelo vento fortíssimo. No ponto de ônibus, uma senhora, indicada por Manuel, já os esperava para conduzi-los até a sua pousada, “um lugar simples, extremamente limpo, agradável e muito bem organizado”, revela Serrano.

Os bauruenses, então, deixaram a bagagem na pousada e, com ajuda da anfitriã local, saíram para alugar o resto do equipamento que faltava: a barraca, o fogareiro, os isolantes e os sacos de dormir para Antonio e Waldete. Ao final do dia, já com tudo em ordem, o trio montou as mochilas e foi dormir. A tão esperada aventura iria começar.

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“Presente” de aniversário

Serrano conta que quando decidiu conhecer o parque nacional Torres Del Paine, já tinha noção do tipo de trekking que o esperava: pesado, sujeito a chuvas, trovoadas, neve e vento, muito vento.

Entretanto, o aventureiro afirma que lhe faltava companhia, pois encarar uma “pauleira” dessas sozinho era inviável. “Muitos amigos tinham vontade, mas ou faltava dinheiro, tempo ou coragem!”, considera ele.

E foi justamente nessa hora que entrou em ação seu amigo Antônio Machado, atual presidente da Associação de Mergulhadores e Esportes de Aventura de Bauru e Região, a Giramundo, da qual Serrano também faz parte. “Ele me ligou e disse que gostaria de ir comigo e que a viagem seria um presente de aniversário de casamento à sua mulher Waldete, que também nos acompanharia”, diz.

Serrano acrescenta que muitos poderiam pensar ser um “presente de grego”, pois em vez de uma viagem ao Caribe preferir encravar-se em um lugar tão remoto parece coisa de maluco. “Mas aventureiro é assim mesmo, se diverte carregando pedra!”, brinca ele.

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