Regional

Grupo faz passeio ecológico no Batalha

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Avaí - Um grupo de pescadores e amantes da natureza iniciaram ontem uma aventura pelo rio Batalha. Eles embarcaram em um trecho do rio, que passa sob a vicinal que liga Avaí ao distrito de Nogueira, e seguiram rio abaixo até Reginópolis, onde passaram a noite. Hoje, eles retornam para Avaí e durante o trajeto de volta farão uma espécie de mapeamento dos locais onde a mata ciliar está destruída.

A aventura é uma preliminar do que a Associação dos Pescadores de Avaí (APA) pretende fazer em defesa do rio Batalha.

Ainda em processo de formação, a associação tem como objetivo não só plantar árvores, mas fazer um levantamento de todas as necessidades do rio e tentar, na medida do possível, dar sua contribuição.

Para alcançar seu objetivo, a APA deve contar com duas importantes ajudas. A primeira será oferecida por uma engenheira agrônoma, cujo nome ainda não divulgado, e a outra deve vir do poder público municipal.

De acordo com o prefeito de Avaí, Reinaldo Rocha (PSDB), assim que terminar o recesso da Câmara Municipal, em fevereiro, ele deve encaminhar um projeto de lei autorizando o município a conceder subsídios para a associação.

Segundo o presidente da APA, Sérgio Coelho, além de fazer o reflorestamento às margens do rio Batalha, a associação irá também realizar um trabalho de conscientização junto à população ribeirinha. Nesse caso, o objetivo é contar com a colaboração dos moradores para evitar que as mudas plantadas sejam destruídas pelo gado.

Está prevista a construção de cerca para evitar que os animais cheguem próximos às mudas. Entretanto, esse procedimento não agrada a todos os criadores de gado. Eles alegam que a construção da cerca irá obstruir a passagem do gado até o rio, onde eles geralmente vão para beber água.

O trajeto feito pelos pescadores, de Avaí até o local onde o Batalha desemboca no rio Tietê, em Uru, tem aproximadamente 60 quilômetros de extensão. Em linha reta, a distância entre as duas cidades seria reduzida pela metade. No entanto, quase todo trajeto é feito em ziguezague; o que torna o passeio mais demorado.

A “viagem” deste ano, a oitava consecutiva, conta com a participação de 15 barcos. Os participantes, em sua maioria, são de Avaí e Bauru. Em edições passadas, estiveram presentes até mesmo pescadores de outros estados. O passeio é feito sempre no mês de janeiro.

Apesar da preocupação da APA, o trecho do Batalha entre Avaí e Reginópolis está com a mata ciliar quase que totalmente preservada. Apenas em alguns pontos é possível ver clareiras, provocadas pelo desmatamento.

Mesmo tendo sua mata em boas condições, o Batalha não se livrou do assoreamento.

Do início ao fim da viagem, a comitiva de pescadores encontra muitas dificuldades para prosseguir com seus barcos por causa dos incontáveis bancos de areia que se formam no leito do rio.

A situação é mais complicada no trecho entre Avaí e o bairro Clavinote. A partir daí, vários afluentes, como o ribeirão Água Parda, contribuem para que o Batalha fique mais encorpado e mais largo.

Além dos inúmeros bancos de areia, de Avaí a Clavinote os pescadores precisam de muita habilidade para passar entre os tocos e galhos de árvores espalhados pelo rio.

Nas margens, é possível contemplar belas imagens protagonizadas por pequenos animais silvestres, como macaco, até cenas desanimadoras, embora previsíveis, de uma imensa variedade de lixo.

Estão lá, desde garrafas plásticas até calota de pneus. Restos mortais de animais, principalmente da capivara, também são imagens corriqueiras nas margens do Batalha.

A descida dos barcos até Reginópolis é feita normalmente em sete horas, dependendo da potência do motor e do número de obstáculos que se encontra pelo caminho.

Se a viagem inclui uma parada em Clavinote, para comer um “churrasquinho” e uma “cervejinha” na ranchonete Sucuri, o percurso é ainda mais demorado.

Além do elevado espírito de aventura e de equipe é preciso uma boa dose de repelente e de protetor solar. Coletes salva-vidas podem ser de grande ajuda. O risco do barco virar sempre existe e segurança nunca é demais. A saída de Reginópolis, hoje, deve ser feita de manhã. Se tudo correr bem, no fim da tarde, os aventureiros devem estar de volta a Avaí. Na bagagem, trarão as informações necessárias para, pelo menos, dar início aos trabalhos da APA. O Batalha agradece.

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