Saúde

Ideal é levar nas costas ou pelo chão

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 5 min

Usar a mochila nas costas ou deslizá-la pelo chão com o auxílio de rodinhas são consideradas as melhores maneiras de se transportar o material escolar, segundo os médicos. Nas costas, o peso fica melhor distribuído, o que facilita o equilíbrio. Com as rodinhas, a carga fica no chão e o único trabalho do aluno é puxar a bolsa.

O ortopedista Alberto Sala Franco defende o uso das mochilas nas costas dizendo que quanto mais perto a carga fica da coluna vertebral, mais fácil é transportá-la.

“Basta lembrar daquela lei da Física que fala da força em relação ao eixo - o princípio da alavanca. Quanto maior é a distância entre a força (peso) e o eixo (apoio), maior será a carga sobre o eixo. É o que acontece quando se usa um pé de cabra, que abre qualquer coisa com facilidade”, cita.

Segundo o médico, quem leva a mochila na frente do corpo distancia o peso (força) da coluna (eixo), o que exige um esforço maior das vértebras para sustentar a carga. “Se você coloca a mochila nas costas, o peso vai ficar encostado no eixo, praticamente não vai ter braço de alavanca. Na frente, há cerca de 20 centímetros de distância”, completa.

Na opinião do ortopedista Fabrício Farina, o uso da bolsa nas costas ou no peito não faz tanta diferença - desde que o peso esteja dentro do limite. “Neste caso, o mais importante é que a mochila tenha o formato das costas do usuário e que as alças sejam largas e acolchoadas para distribuir a carga adequada e confortavelmente nos ombros”, ressalta.

Ambos os médicos salientam que, além de ter um formato compatível com o tamanho da criança, a mochila deve ser ajustada ao corpo do usuário de modo que não haja folga excessiva nas alças. Desta forma, a carga ficará distribuída em toda a coluna dorsal (parte mais alta da coluna) e lombar (parte baixa).

Quando a alça está muito solta, a base da mochila - onde concentra-se o peso do material - fica apoiada acima do bumbum (coluna lombar). Conforme a criança anda, a bolsa vai batendo nesta região. A médio prazo e dependendo da carga, isso pode causar dores, pode induzir a uma má postura (lordose) e pode gerar até lesões importantes.

Rodinhas

O ortopedista Fabrício Farina defende as mochilas com rodinhas como a melhor opção para transportar o material escolar, pois elas mantêm a carga no chão, não exigindo esforço excessivo da criança. Neste caso, é preciso lembrar de trocar sempre de mão para não forçar demais um ombro só.

Porém, na hora de comprar, é preciso observar atentamente a extensão da alça. O ideal é que ela seja regulável, permitindo que a criança controle a altura do acessório durante o ano, conforme ela vai ganhando estatura. Uma alça fixa pode ficar curta com o passar dos meses, sacrificando o corpo do usuário.

O médico Alberto Sala Franco diz não estar familiarizado com este tipo de mochila, mas também faz algumas ressalvas. Ele diz que é preciso observar a postura da criança. “Ela pode girar o ombro e o tronco para trás para segurar a alça. De vez em quando, ela acaba olhando para trás para passar as rodinhas por um buraco ou mesmo para ver se não está caindo nada na rua e tem que girar o pescoço. Se ela faz isso, se gira o corpo todo várias vezes, o risco de desconforto e lesão é maior”, observa.

Franco sugere que este tipo de mochila seria melhor indicado para trajetos curtos, em calçadas ou corredores lisos. Mas para crianças que caminham muito, sobem e descem calçadas, sobem e descem do ônibus e têm que levantar o peso pela alça a toda hora, ele defende que a mochila nas costas é mais confortável.

Farina, apesar de defender as rodinhas como melhor opção para transportar o material, concorda que a bolsa precisa ser adequada. “Se a criança precisa ficar torcendo o corpo para puxar a mochila, se não encontrar uma alça para sua altura, a melhor alternativa é usar a bolsa nas costas”, afirma.

Bolsa à tiracolo é contra-indicada

Especialistas afirmam que o maior erro dos estudantes ao transportar material escolar é o uso de bolsas à tiracolo ou de mochilas penduradas em um ombro só. De acordo com o ortopedista Alberto Sala Franco, o peso unilateral obriga o corpo a inclinar-se para o lado oposto.

“Quando inclina, a criança vai ter uma contração muscular de um lado e um estiramento muscular do outro. Lógico que se ela fizer isso por alguns minutos, tudo bem. Mas se ela mantém esse hábito como rotina, todos os dias, ida e volta, vai começar a ter dor”, explica.

O médico Fabrício Farina acrescenta que as pessoas têm uma tendência natural de usar um lado só do corpo (destros ou canhotos) e isso só agrava o problema. “Esse desequilíbrio muscular faz com que a musculatura se desenvolva mais de um lado. Com o tempo, isso acaba gerando desvios na coluna e começam a aparecer os vícios posturais”, completa.

Para jovens que abandonaram a mochila e preferem carregar todo o material na mão, debaixo do braço, os profissionais recomendam a troca freqüente de lado: usa a mão direita na ida e a esquerda na volta, ou uma mão num dia e a outra no dia seguinte, de modo que o tempo seja o mesmo para ambos os lados. Carregar peso tem o mesmo efeito que os exercícios de musculação na academia - ambos os lados têm que ser igualmente trabalhados.

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