Saúde

Convencer é desafio de educar

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Questionados sobre como convencer crianças e adolescentes a reduzir o peso da mochila, os profissionais ouvidos pela reportagem defendem que esta é uma etapa difícil da educação. Um desafio que precisa da união de pais e professores.

A psicóloga escolar Cláudia Regina da Costa Chaves defende que a escola tem que estabelecer horários e orientar os alunos a separar o que será necessário dia a dia. Para ela, cabe aos professores, também, instruir a turma quanto ao excesso de “enfeites” no caderno.

“Nas primeiras séries, desenhar e pintar é fundamental e as escolas reservam um tempo para isso. Mas a partir da 5.ª série, aumenta o número de disciplinas e o tempo para cada uma delas é reduzido. Se o aluno enfeitar muito, vai perder parte do conteúdo. Em alguns meses, ele acaba entendendo que não vai precisar de três ou quatro estojos”, exemplifica.

A psicóloga salienta que tudo isso deve ser entendido como educação, mas sempre considerando que há emoções e sentimentos envolvidos. “A criança que leva vários estojos pode estar disputando com as colegas. Ela precisa aprender que ela não precisa ‘ter’ tanto”, salienta.

Aquela que leva tudo o que tem todos os dias dizendo que quer beneficiar a amiga está assumindo uma responsabilidade que não é dela, na opinião da psicóloga. “Os pais devem incentivar esse espírito solidário que ela tem, mas mostrando que a outra precisa ter a responsabilidade de levar o material dela, porque não é certo alguém carregar pelo outro, em nenhum sentido”, observa.

Segundo ela, esta criança solidária pode estar escondendo um problema com insegurança. Ela se sente segura e valorizada porque sempre “tem” algo a oferecer quando alguém precisa.

“São questões que precisam ser conversadas de modo que a criança desenvolva conceitos como regra, como postura de vida. Ela aprende a se desprender das coisas, aprende a se organizar. Agora, se houver muita dificuldade em mostrar isso, os pais devem procurar ajuda profissional, porque há crianças que não compreendem esses conceitos”, completa.

Para o ortopedista Alberto Sala Franco, também é uma questão de racionalização. “Você ensina desde cedo. Se vai passar uma semana na praia, ninguém vai levar um terno porque ‘pode’ aparecer uma reunião formal ou porque alguém pode precisar. Isso é educar, ensinar. A criança vai entender que ela só leva o necessário e que não é responsabilidade dela suprir a falha ou esquecimento do outro”, observa.

“O mais importante é a orientação. Pais e professores devem conversar, explicar possíveis problemas, dar exemplos para mostrar o que é certo e o que deve ser feito”, completa o ortopedista Fabrício Farina.

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