Bairros

Metade dos contemplados abandonou o núcleo


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Mais da metade dos moradores que participaram do mutirão para a construção das casas do Núcleo Fortunato Rocha Lima não vive mais no local. A estimativa é do coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito.

Ele diz que, do grupo de moradores originais, grande parte vendeu ou trocou a casa e acabou voltando a morar em favela. “Tem várias histórias como essa lá”, salienta.

Ele lembra que, no início, muita gente trocava a casa até por objetos de pequeno valor, como bicicleta e televisor. “Sei de casos de pessoas que venderam a casa por R$ 300,00 e depois se arrependeram”, conta.

Para Catarina Carvalho, que era a diretora social e educacional do Projeto de Desfavelamento, o que faltou foi acompanhar mais de perto o estabelecimento dos moradores no bairro. “Eles vieram de uma situação muito difícil e tinham fortes raízes culturais com a favela. Para ajudá-los a se livrar desse estigma, era preciso ter dado continuidade ao trabalho social no bairro”, explica.

A revendedora Rosa da Silva, que mora no bairro desde quando as casas foram entregues, confirma a declaração do coordenador da Defesa Civil. Ela diz que tem gente que, depois de comercializar a casa, arrependeu-se e tentou voltar. Mas, como não tinha mais dinheiro nem bem algum para negociar, teve que morar de aluguel. “Há muitas histórias como essa por aqui. Conheço gente que está morando na mesma casa, só que, dessa vez, pagando aluguel”, diz.

Por outro lado, esse fato aponta para uma popularização maior do núcleo. Muita gente deixou de lado o preconceito e decidiu comprar um imóvel no local. Como é o caso do casal Orivaldo e Elaine Aparecida dos Santos. Eles adquiriram uma casa no núcleo há cerca de dois anos. “Nós trocamos por um carro”, conta o morador.

Ele, que abriu um pequeno comércio na frente da casa, salienta que não se arrepende do negócio e que gosta de morar no bairro. “As pessoas falam demais. O bairro é como qualquer outro da cidade. Tem violência, sim, mas não é nada fora do comum”, diz.

Sua mulher conta que vive bem no Fortunato e que o segredo é não se envolver em assuntos que não lhe dizem respeito. “Se você levar a sua vida tranqüilamente, não tem porque se preocupar. Nós não temos medo de sair de casa à noite”, ressalta.

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