Representantes de associações de moradores de três bairros de Bauru estão elaborando um abaixo-assinado que tem como objetivo criar um conselho de usuários da água.
Nelson Fio, morador do Jardim Santa Filomena, afirma que um dos aspectos referentes ao abastecimento de água que mais preocupa a população são os reajustes das tarifas.
“O objetivo é criar o conselho dos usuários e água para que a população opine sobre o aumento das tarifas. Atualmente, o aumento está sendo abusivo para o bolso da população. Nós só ficamos sabendo depoisâ€, expõe.
“Queremos que os reajustes sejam feitos de acordo com o bolso do trabalhador e também queremos ter conhecimento da planilha de custos do DAE (Departamento de Água e Esgoto de Bauru)â€, acrescenta.
A iniciativa de fazer um abaixo-assinado partiu de moradores dos bairros Jardim Prudência, Núcleo Beija-Flor e Jardim Santa Filomena.
No fim de semana passado, os organizadores estavam no Calçadão da Batista de Carvalho e colheram cerca de 300 assinaturas. Ontem, eles repetiram a atividade no Núcleo Mary Dota. O objetivo é trabalhar a cada sábado em um bairro da cidade até chegar a um total de 10.500 nomes.
â€œÉ um projeto de iniciativa popular então, para encaminhá-lo à Câmara Municipal, precisamos de assinaturas de no mínimo 5% do eleitorado, o que totaliza 10.500 pessoasâ€, diz Fio.
Na opinião do morador, o conselho teria que ser formado por representantes de associações de moradores, de comerciantes e do poder público, além de contabilistas e engenheiros.
“Ainda estamos discutindo como será formado esse conselho. Estamos nos baseando em outros projetos, como o do conselho dos usuários do transporte coletivoâ€, afirma.
DAE
A diretoria do DAE, de acordo com a assessoria de imprensa da autarquia, preferiu não se posicionar sobre a iniciativa da população.
Quanto às tarifas, a assessoria destaca que para contas com consumo de 10 metros cúbicos, os valores são inferiores aos de cidades como Ourinhos e Rio Claro, e semelhantes aos de Lençóis Paulista.
Sobre os reajustes, a autarquia ressalta que eles são necessários para aumentar a capacidade de investimento do DAE e renovar a frota de viaturas, construir reservatórios, perfurar poços e reformar a estação de tratamento de água, melhorando o abastecimento de água na cidade.
O último reajuste na tarifa de água foi de 26%, em fevereiro de 2002. O DAE alega que a arrecadação foi revertida para cobrir o aumento nos custos dos principais insumos, tais como energia elétrica, produtos derivados de petróleo, tarifas telefônicas e produtos químicos.
Neste ano, os reajustes serão feitos em duas etapas: 24,51% a partir de fevereiro e 13,31% a partir do mês de abril. As despesas com pessoal estão entre as que mais comprometem a receita, segundo a assessoria de imprensa.