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Analfabeto político


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A globalização produz sérios efeitos sobre o instituto da representação política. Com o aumento das informações, bem como da velocidade com que elas circulam e, simultaneamente, com as diferenças da sociedade, a vontade política já não tem mais facilidade para reunir os interesses multiplicados ou mobilizar cidadãos ativos. Isto é, indivíduos empenhados em ponderar, refletir e, acima de tudo, intervir conscientemente no processo de tomada de decisões.

Hoje em dia, o campo da política está complicado. Temos a globalização da comunicação, a velocidade, a quantidade e a variedade das informações, bem como as alterações estruturais na organização econômica e social, o surgimento de uma nova cultura mais individualista e mais voluntarista. Tudo isto desgasta a democracia representativa e a relação das pessoas com a política.

Hoje, uma parte da sociedade se entrega à apatia e à indiferença, ao mesmo tempo em que outros se mexem freneticamente e criticam sem parar. Há pouco debate consistente, pouco envolvimento com os assuntos que dizem respeito à vida coletiva.

A democracia não é apenas participação ou vontade de participar das pessoas. É também institucionalidade e cultura, educação para a cidadania. Trata-se de um processo que aproxima governantes e governados, ambos trabalhando para a integração e o bem-estar da população.

A idéia de participação política é inerente à democracia. Na verdade, não existe um muro separando a democracia representativa da democracia participativa. O que se deve discutir é a amplitude e o caráter desta participação. Uma forma mais restrita de democracia pode reduzir a participação ao momento eleitoral, ao voto, limitando assim o envolvimento dos cidadãos com o processo decisório mais abrangente. Do mesmo modo, uma ênfase unilateral na participação pode levar ao desprezo pela representação, com suas instituições e seus procedimentos. Em ambos os casos, algo seria perdido.

A democracia de massas, que me parece ser a que mais se adapta às sociedades contemporâneas e às necessidades de transformação social, é uma aposta nas possibilidades de integração e composição entre representação e participação. É uma construção complexa, de longo prazo, que sempre dependerá de articulações para o crescimento institucional e de educação para a cidadania, voto e luta social, e assim por diante.

Se quisermos mesmo nos beneficiar de uma democracia verdadeiramente participativa, precisamos estruturar uma idéia de participação que se desdobre na construção de uma convivência coletiva superior, na qual todos são responsáveis e ativos. (O autor, Pedro Tobias, é deputado estadual pelo PSDB)

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