Será realizada hoje mais uma etapa dos depoimentos referentes à Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras. Desta vez, o objeto de investigação é a reforma de todo o sistema de energia elétrica da Câmara Municipal.
Os depoimentos estão marcados para as 9h. Foram convocados o engenheiro Nilson José Saggioro e o empresário João Gonçalves.
Saggioro teria prestado consultoria ao Poder Legislativo, apontando a necessidade da obra. Gonçalves é proprietário da empresa GL Gonçalves Souza e Filhos Ltda., que forneceu os materiais para a reforma.
De acordo com o vereador José Humberto Santana (PV), que protocolou o pedido para avaliação da obra, a reforma do sistema de energia elétrica do prédio da Câmara custou cerca de R$ 100 mil e deveria, depois de pronta, ter gerado economia, o que não ocorreu.
O presidente da CEI das compras, Luiz Carlos Valle (PSB), não foi localizado ontem pelo JC para falar sobre os depoimentos de hoje.
Histórico
A CEI das compras foi instalada no início de novembro do ano passado para apurar denúncias de irregularidades em aquisições de equipamentos, produtos e contratos de prestação de serviços da Câmara Municipal.
Num primeiro momento, a apuração se centralizou nas aquisições do equipamento Datashow, de um veículo modelo van e do software Autocad. Contratos para serviços de microfilmagem também foram avaliados.
No decorrer da investigações, novas denúncias foram protocoladas. As suspeitas eram de aquisições irregulares de tonner, lente para máquina de microfilmagem, diárias para viagens e abastecimento de combustível nos veículos da casa.
Vereadores envolvidos nas denúncias foram ameaçados por telefone e o relator da comissão de investigação, Osvaldo Paquito (PPS), pediu afastamento. Seu nome consta numa lista de pessoas que pegaram cheques nominais emitidos pela Câmara Municipal a terceiros. Assumiu a vaga o vereador José Humberto Santana (PV).
Depois de encerradas as investigações, a CEI das compras deverá propor punição para eventuais envolvidos. A cópia do processo será encaminhada à Delegacia Seccional de Polícia e ao Ministério Público para as providências cabíveis.