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Grupo Votorantim pedirá a reintegração de posse do horto

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

A Votorantim Celulose e Papel (VCP) deve entrar na Justiça hoje com pedido de reintegração de posse de parte do Horto Florestal Aimorés, ocupada por um grupo de sem-terras desde sábado pela manhã. Cerca de 115 pessoas, entre adultos e crianças, estão acampadas no local em barracas de lonas e aguardam 200 novas famílias.

Celso, que a exemplo dos demais integrantes do grupo não divulga seu sobrenome alegando tratar-se de questão estratégica, diz que todos pertencem a um novo movimento de luta por reforma agrária denominado Terra Nossa. “O movimento nasceu, de fato, há cerca de quatro meses. Essa é a nossa primeira ocupação”, conta.

O Horto Florestal Aimorés, localizado atrás do Núcleo Octávio Rasi, a cerca de 15 quilômetros do Centro de Bauru, faz parte da Fazenda Aimorés, que é de propriedade da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa). A fazenda, porém, está arrendada para a VCP desde 1990 - o contrato é de 21 anos.

A assessoria de imprensa da VCP informa que, como arrendatária, a empresa é responsável pela manutenção da área e por isso está usando seus direitos para buscar uma solução legal e pacífica para a reintegração de posse.

“O Horto Florestal Aimorés é totalmente produtivo. A VCP mantém no local cerca de 1.850 hectares de eucalipto plantados para produção de celulose”, diz a nota da empresa divulgada à imprensa.

Porém, os acampados no horto afirmam que a Fazenda Aimorés figura no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como uma das áreas passíveis de desapropriação para reforma agrária. “Tivemos informações de que essa fazenda pode ser desapropriada. Mas se o governo indicar outra área, nós aceitamos. O que queremos é chão para produzir”, diz Celso.

Ele frisa que não tem nada contra o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e outros que lutam por reforma agrária, mas o grupo preferiu fundar um novo movimento. “Achamos melhor fundar um movimento com ideologia própria, sem burocracia”, afirma.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), órgão ligado à Igreja Católica, está apoiando os sem-terra. Maria da Luz, coordenadora regional da CPT, está organizando campanha de arrecadação de alimentos para os acampados junto a sindicatos e outras entidades.

O Sindicato dos Ferroviários também está apoiando o grupo. Roque Ferreira, diretor da entidade, visitou o acampamento e colocou-se à disposição dos sem-terra. “Apoiamos a luta do MST e também deste novo grupo, que tem ligação com a CPT, por tratar-se de uma luta justa pela terra”, diz.

Polícia acompanha

O delegado Dinair José da Silva, que está respondendo pelo 4.º Distrito Policial e instaurou inquérito por esbulho devido à ocupação, visitou o acampamento ontem. “Nosso objetivo é verificar se é um movimento pacífico e se está ou não ocorrendo dano ambiental. Como estão em uma área de preservação permanente, se houver corte de árvore, poderão responder por crime ambiental, com pena de prisão de um a três anos”, explica.

Hoje, o delegado deve ouvir representantes da VCP, que ficaram de apresentar documentos de arrendamento da área. “Eles adiantaram que vão entrar com pedido de reintegração de posse e nós esperamos a decisão da Justiça”, diz.

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