A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) deverá apresentar um superávit mensal da ordem de R$ 150 mil, após a assinatura do acordo de renegociações de dívidas com a Caixa Econômica Federal (CEF), previsto para dez dias.
A previsão é do presidente da empresa, Constante Mogioni. Segundo ele, o déficit mensal da companhia é de aproximadamente R$ 450 mil. A renegociação da dívida com a CEF vai diminuir em cerca de R$ 800 mil mensais o repasse ao banco, que hoje é de R$ 1,9 milhão.
Isso será possível devido a habilitação de mais de 20 mil contratos de mutuários, realizada no ano passado. “Pretendemos formar um caixa em sete, oito meses e construir cerca de 800 unidadesâ€, anunciou.
O presidente da Cohab preferiu não precisar o local onde as casas serão construídas, mas explica que a companhia tem áreas nas regiões dos núcleos habitacionais Beija Flor, Ernesto Geisel e Vila Industrial.
Solenidade
Ontem, representantes da administração municipal, do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (Seesp) e do Sindicato dos Contabilistas concederam uma entrevista coletiva para anunciar o acordo.
O evento também foi prestigiado pelo prefeito Nilson Costa (PPS) e pelo vereador João Parreira (PSDB). O superintendente de negócios da CEF, Geraldo Luiz de Oliveira, e seu gerente de mercado, Wanglei Rodrigues Taú, marcaram presença na cerimônia.
O prefeito destacou, em discurso, que quando assumiu a administração a Cohab tinha um quadro com 354 funcionários. “Hoje, são 79. São 275 funcionários a menos. Foi doloroso, mas o enxugamento foi necessário para se atingir o equilíbrio financeiro. Às vezes é preciso sacrificar a galinha para salvar os ovos. Caso contrário, não teríamos nem galinha nem ovosâ€, diz.
Parreira aproveitou a oportunidade para relembrar os discursos que fez da tribuna da Câmara Municipal alertando a administração municipal sobre os riscos financeiros da companhia.
“Um dia disse da tribuna que gostaria de conversar com o prefeito Nilson Costa sobre a Cohab. No outro dia, recebi um telefonema dele e marcamosâ€, conta.
O vereador tucano diz que pertence a um outro grupo político. “Mas não poderia deixar de aceitar o desafio de trabalhar para salvar a Cohab junto com o prefeito e com o Mogioni.â€
O parlamentar enalteceu a coragem do prefeito em “abrir as portas†da Cohab para a sociedade. “Caminhamos um bom pedaço, mas ainda não chegamos a um destino. A questão Cohab ainda não está bem definidaâ€, avalia.
Parreira destaca que a dívida com a seguradora Sasse - empresa ligada à CEF -, de cerca de R$ 40 milhões, é um pesadelo para milhares de mutuários da companhia.
“Existem mutuários que quitaram suas casas há mais de dez anos e não conseguem regularizar a situação devido a dívida da Cohab com a seguradoraâ€, comenta.