Com a experiência que os 93 anos de vida lhe deram, sendo quase 70 dedicados aos pobres, Sebastião Paiva mostra-se preocupado com a situação do Brasil e aconselha mais amor entre as pessoas. “A pobreza não acaba nuncaâ€, diz.
Para ele, o País e o mundo mudarão para melhor somente se as pessoas preocuparem-se mais uma com as outras e ajudarem-se mais. Seu Paiva, como é conhecido, diz que muitos afirmam ser cristãos, mas poucos praticam a doutrina de Jesus Cristo. â€œÉ cada um por si e Deus para todos. Ninguém pensa que pode morrer amanhã, que todos vão morrerâ€, diz.
Ferroviário aposentado, ele conta que decidiu fundar a Sociedade Beneficente Cristã porque foi um menino pobre, que passou fome. “Fundei a entidade quando tinha 25 anos. Era um projeto meu porque passei fome quando era criança e cresci com o objetivo de ajudar as crianças pobres. Com 20 anos tornei-me espírita, o que reforçou ainda mais a minha proposta porque o espiritismo incentiva seus adeptos a ajudar os outrosâ€, ressalta.
Paiva, frisa, porém, que fundar uma entidade, que aos poucos foi crescendo até tornar-se a maior de Bauru, exige dedicação. “Optei por ficar solteiro para poder tocar a entidade. Se eu tivesse mulher, filhos e todas as preocupações normais de uma família, seria muito mais difícilâ€, acredita.
Apesar de viver num quarto simples na própria entidade, ele faz questão de ter em seus aposentos TV para manter-se informado. “Leio jornais todos os dias, assisto TV e ouço rádio, mas só os programas de noticiárioâ€, conta. Em seguida, confira trechos da entrevista.
JC - O senhor diz que a pobreza não acaba. O senhor não vê solução? Sebastião Paiva - A pobreza é conseqüência do egoísmo do ser humano, que só pensa nele.
JC - O senhor acha que as pessoas estão mais egoístas atualmente? Paiva - Antigamente, os costumes eram diferentes. Não tinha o progresso e o desemprego de hoje em dia, não tinha rádio, TV, Internet... A vida era simples. Hoje, o mundo está muito materializado. As pessoas só pensam em dinheiro, e não em repartir.
JC - Qual a expectativa do senhor com relação ao novo presidente da República, com o programa de combate à fome? Paiva - Para distribuir renda, o Lula precisa de elemento humano, mas elemento humano honesto, o que é raro. Precisaria de muitas pessoas como ele. Mesmo assim é difícil.
JC - O senhor acredita que o Brasil poderá melhorar para os pobres? Paiva - Depende do povo e dos grandes, da indústria, do comércio, de todos nós. Veja a aposentadoria, por exemplo. Tem gente que ganha R$ 20 mil por mês e outros ganham salário mínimo.....
JC - O senhor defende um limite no valor da aposentadoria? Paiva - A Previdência está falida. A dívida é muito grande e ele (Lula) precisa modificar o sistema rapidamente. Tem gente que, se deixar, quer R$ 40 mil de apontadoria sem pensar no outro que ganha salário mínimo.
JC - Aos 93 anos, o que o senhor ainda quer realizar? Paiva - Gostaria de ajudar todas as pessoas que batem à minha porta. Estou lúcido e coordeno a entidade, mas estou esperando meu substituto.....