O presidente da Comissão Especial de Inquérito (CEI) das compras, Luiz Carlos Valle (PSB), e seu relator, José Humberto Santana (PV), receberam ontem os microfilmes de cheques nominais do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal (CEF) emitidos pela Câmara Municipal para pagamento de fornecedores.
Na avaliação de Valle e Santana, a busca bancária mostra que há indícios de uma possível triangulação entre três empresas fornecedoras da Câmara.
O rastreamento detectou que a conta bancária da empresa AP Microfilmagem e Digitalização, de propriedade de Altair Azevedo, recebeu quatro cheques nominais emitidos pelo Poder Legislativo às empresas VF Informática - estabelecida em Lençóis Paulista e de propriedade de Altair Valvassori -, Micrométodos - sediada em São Paulo -, Baurutec - de propriedade de Amaury Marcos Antunes Ramuno.
Os cheques, cujos valores são de R$ 2.280,00, R$ 2.785,00, R$ 1.044,00 e R$ 1.809,00, são referentes à prestação de serviços de mocrofilmagens, aquisição de tonner e outros produtos.
Em depoimento prestado à comissão de investigação no dia 19 de novembro passado, Altair Valvassori - da VF Informática -, garantiu que não conhecia o proprietário da AP Microfilmagem e Digitalização, Altair Azevedo.
Para Valle, a afirmação de Valvassori está carregada de contradição, já que sua empresa efetuou depósitos na conta bancária da AP, de propriedade de Azevedo.
“Os microfilmes são provas de que havia um relacionamento estreito entre essas empresasâ€, avalia. O presidente da CEI das compras afirma que o rastreamento, depois de avaliado com mais profundidade, vai elucidar declarações conflitantes.
Santana, relator da comissão de investigação, vai agora confrontar as informações bancárias com os depoimentos dos empresários.
Endosso
No calhamaço dos microfilmes de cheques recebidos ontem pela CEI das compras está aquele que foi emitido pela Câmara Municipal nominal à Volare Comércio e Obras Ltda., no valor de R$ 1.682,58, depositado na conta bancária do vereador Osvaldo Paquito (PPS).
Havia uma dúvida em relação ao endosso do cheque. Mas a microfilmagem mostrou que o cheque foi mesmo endossado e carimbado pela empresa à qual estava nominado, ou seja, a Volare.
Paquito diz que depositou o cheque na sua conta bancária para ajudar o pintor de paredes Paulo Antonio Velasco, que, segundo ele, não possuia conta corrente em instituição financeira. Velasco prestou serviço de pintura à Câmara Municipal.
Os vereadores que integram a CEI das compras voltam a se reunir no próximo dia 27. A princípio, espera-se que o relatório final da comissão de investigação esteja pronto para ser encaminhado ao plenário na primeira sessão legislativa deste ano, agendada para 3 de fevereiro.
Mas há uma expectativa para a convocação dos depoimentos de Paquito e dos proprietários da Volare, Maria Benázio Silva e Vanderlei Jesus da Silva, parentes do vereador.
Os proprietários da VF Informática, Altair Valvassori, da AP Microfilmagem e Digitalização, Altair Azevedo, e da Baurutec, Amaury Marcos Antunes Ramuno, não foram localizados pela reportagem do Jornal da Cidade para se posicionarem sobre o assunto.