Mesmo com as constantes oscilações do dólar, as exportações regionais cresceram em 2002, em volume de dinheiro, mais de 33% quando comparadas com igual período de 2001. A constatação é da Estação Aduaneira do Interior (Eadi) de Bauru, que divulgou ontem seu balanço anual do movimento do comércio exterior.
Somente no ano passado, a Eadi contabilizou mais de US$ 18 milhões com as exportações, valor 33,6% maior que o acumulado durante 2001, quando foram gerados cerca de US$ 14 milhões. Já o volume de importações fechou 2002 praticamente empatado com o total do ano anterior. Em ambos os períodos, US$ 48 milhões foram movimentados na estação.
Tal desempenho contribuiu ainda para a Eadi crescer aproximadamente 6% no total de recursos acumulados com as exportações e importações. Enquanto em 2001 a soma atingiu os US$ 62,5 milhões, em 2002 a cifra saltou para US$ 66,3 milhões.
Além de enfatizar os resultados positivos obtidos pela estação, o diretor comercial Antonio Grilo Neto ressalta que as importações registradas ano passado também forneceram motivos para se comemorar. “Apesar de termos empatado no volume, foi um ano precioso para a Eadi, uma vez que a média nacional do setor caiu quase 15% (leia texto nesta página)â€, justifica.
Para o presidente da Eadi, Wilson Batista Souto, os números demonstram que a estação, que completou recentemente três anos de atuação em Bauru e região, comporta-se como uma criança em fase de desenvolvimento. “Ainda somos novos e, por isso, há uma tendência natural de crescimento no mercadoâ€, acredita ele.
Souto atribui os bons índices conquistados pela Eadi a uma série de razões, mas a principal delas, conforme ele, é a maior gama de serviços oferecidos. “Antes fazíamos apenas o desembaraço aduaneiro das mercadorias. Hoje já disponibilizamos a logística completa, desde a retirada da indústria até a vinda para a estaçãoâ€, explica o presidente. “Isso acaba atraindo mais clientesâ€, complementa.
Prova disso é que a Estação Aduaneira do Interior de Bauru, cuja área de abrangência atinge mais de 150 municípios, também evoluiu na quantidade de parceiros comerciais. Enquanto em 2001 a Eadi operou com 150 clientes cadastrados, em 2002 passou a trabalhar com 197, um crescimento de aproximadamente 31%.
O diretor comercial Antonio Grilo Neto aponta, ainda, outros motivos para os êxitos no comércio exterior da Eadi no ano passado.
A busca por novos mercados é um deles. “Além de atuarmos fortemente em nossa base territorial, como Presidente Prudente, Marília e Araçatuba, estamos expandindo para o Mato Grosso do Sul, principalmente porque a Eadi/Bauru é a última unidade alfandegada do Centro-Oeste paulistaâ€, afirma.
Grilo Neto destaca que, além do Estado da região Centro-Oeste do Brasil, a Bolívia é um alvo em potencial e em franco desenvolvimento para a Eadi. â€œÉ um país totalmente importador de manufaturados nacionais. Apesar da comercialização ainda não ser grande, tende a crescer, pois a demanda existeâ€, sustenta ele.
Perspectivas
Diante de tantos números positivos, sobra otimismo para o presidente da Eadi quando este fala sobre as ambiciosas perspectivas e metas traçadas para a unidade aduaneira em 2003. Segundo Souto, o objetivo é aumentar em 300% o movimento de serviços relativos às exportações e em 50% para as importações.
Ele pondera que, além da credibilidade já alcançada pela Eadi no mercado e à maior gama de serviços oferecidos pela mesma, os atuais rumos da economia e do próprio governo Lula contribuirão para o cumprimento de suas pretensões. “Pretendemos, pelo menos, que as importações voltem ao normal e as exportações aumentemâ€, frisa Souto.
Para o presidente, 2003 tem tudo para se transformar no “ano-topo†para a Eadi em relação ao movimento comercial externo. “Já era para termos atingido esse estágio a partir de julho de 2001, mas uma sucessão de crises, como o dólar, o apagão, a Argentina e os atentados nos Estados Unidos, dificultaram esse nosso objetivoâ€, argumenta ele.
Seguindo a mesma linha de raciocínio e com igual confiança, o diretor comercial Grilo Neto sustenta que a Eadi opera em sintonia com a economia do País. “A estabilidade da moeda é importante principalmente nas importações e este ano tudo está se conduzindo para que isso ocorra e o Brasil volte à normalidadeâ€, conclui.
Encomex em Bauru
Através de um esforço conjunto que envolveu a Eadi, a Prefeitura Municipal, Fiesp/Ciesp, Associação Comercial e Industrial, Banco do Brasil, Sebrae e Correios, Bauru deverá sediar, provavelmente em março deste ano, o primeiro Encontro de Comércio Exterior (Encomex).
Segundo o diretor comercial da estação aduaneira, Antonio Grilo Neto, o evento já está confirmado extra-oficialmente. “Todas aquelas instituições solicitaram sua realização junto à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), que o coordena, e as chances são de 100%â€, assegura.
Segundo Grilo Neto, o Encomex visa criar um estímulo para que novos empresários ingressem no setor de exportação. “A Secex disponibilizará toda sua estrutura e conhecimento sobre o assunto tanto para os que já importam quanto para os que desejam entrar no segmentoâ€, explica ele.