Auto Mercado

A hora da verdade

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Depois de passarem anos acompanhando e acumulando na memória as peripécias de seus maridos na busca por automóveis e objetos antigos, elas resolveram abrir o jogo e contar a “verdade” escondida por trás da paixão que seus cônjuges alimentam por tais sonhos de consumo.

Por causa da extrema admiração que nutrem pelos carros e utensílios de décadas passadas, os homens são capazes de “tudo” para consegui-los, principalmente utilizar de todas as artimanhas possíveis e imagináveis para - tentar - justificar a suas companheiras a aquisição de mais uma “jóia” rara.

É o que garante o sexteto bauruense formado por Lu e Mariângela Tosi, Cristina Martinelli Pontechelle, Bruna Masson, Magda Martins Pereto e Jussara Duarte Soriano Cozza. Em clima de intenso bom-humor, elas não pouparam seus maridos durante o “desabafo” à reportagem ao contar várias histórias recheadas de detalhes engraçados.

Uma das que mais “sofreu” até hoje foi Lu Tosi, esposa de José Carlos Tosi, um dos maiores colecionadores de carros antigos da região. Ela conta que, assim como os amigos do clube do gênero, o marido sempre arruma uma desculpa para adquirir mais um automóvel. “As mais comuns são que o automóvel nunca é caro e é raríssimo, além de ser um negócio imperdível e que o antigo dono facilitou os pagamentos.”

Entretanto, continua ela, todas sabem que o preço não é barato. “Nossa matemática nunca é igual a deles, pois sempre faltam uns zeros”, compara. “Caro é comprar esses produtos de maquiagem que vocês usam. Com o dinheiro que gasto neles poderia comprar uma peça”, protesta Tosi, em tom de brincadeira.

Mas nada se compara, conforme Lu, àquela relacionada ao estado geral de conservação do veículo. Certa vez, conta ela, ambos foram a São Paulo para adquirir mais um modelo, que não tinha porta, estepe e o pouco de vidro existente estava acondicionado em uma caixa. “À noite, na volta a Bauru, tinha de vir colado nele atrás para poder iluminar o caminho, pois o carro não tinha farol”, lembra ela, rindo.

Mas o ponto mais hilário estava reservado quando o casal chegou na cidade, após oito horas de viagem. Ao dirigir-se à casa de um amigo para mostrar sua mais nova aquisição, este o recepcionou de uma maneira que o encheu de orgulho, mas provocou o espanto de Lu. “Ele olhou o veículo e disse admirado para o Tosi que o carro estava inteiro e que havia feito um grande negócio”, relembra Lu, às gargalhadas.

Presentes

Outra de Tosi, dessa vez contada por Mariângela, uma de suas filhas, ocorreu após ele retornar de uma viagem ao exterior. Ansiosas por presentes e recordações da viagem, ela e sua mãe abriram a mala e, para surpresa de ambas, em vez de souvenirs encontraram apenas peças de carros antigos. “Tinha até uma faixa branca de um Ford 1940”, detalha.

Outro “presente” que também marcou Lu e Mariângela foi um Simca 1951, que Tosi adquiriu por ter uma enorme ligação afetiva: foi o primeiro carro que o casal comprou em conjunto. “Ele havia falado que daria uma coisa que agradaria a todas. Pensei que fosse uma escultura e minhas filhas, um telefone, que não tínhamos, ou uma jóia”, afirma Lu.

Entretanto, um dia antes, Tosi avisa a esposa informando a data da chegada do “mimo”, que veio transportado em um caminhão. “Quando vi o rapaz procurando por mim com o carro, quase não acreditei”, destaca ela.

“O mais engraçado é que, naquela mesma tarde, apareceu um rapaz em casa com um Aero Willys, que não deixei nem entrar pensando ser mais uma aquisição do Tosi. Depois descobri que ele estava procurando os irmãos Willys aqui em Piratininga”, relata Lu.

“Martírio” precoce

Como a paixão de Tosi pelos veículos do gênero vem desde sua infância, Mariângela ressalta ter sido “alvo” desde pequena das aventuras do pai com os carros. “Eu e minha irmã ficávamos paquerando na praça da igreja até à noite, mas ele fixava um horário para ir nos buscar. Só que, em vez de cumprir a hora marcada, ele veio 30 minutos antes com uma DKW que fazia um barulho enorme”, recorda ela, rindo.

Além disso, complementa Mariângela, Tosi fazia questão, propositalmente, de dar uma volta completa na praça e deixar o carro morrer em frente à igreja. “Ele nos matava de vergonha, pois o pessoal da praça gritava, quando meu pai ainda estava longe: O Tosi está chegando para buscar as meninas!”, conta ela, desmanchando-se em risadas.

Comentários

Comentários