O que era apenas uma ameaça, transformou-se em realidade. A erosão localizada na quadra 4 da avenida Manoel Monteiro, no Jardim da Grama, praticamente “engoliu†a linha férrea que passa pelo local. Com isso, a circulação dos trens foi interrompida e cerca de 1,2 milhão de litros de combustíveis deixarão de chegar ao Mato Grosso do Sul diariamente.
De acordo com a assessoria de imprensa da Novoeste do Brasil, empresa que administra a linha férrea, de seis a oito locomotivas passam por esse trecho diariamente, transportando, além de combustível, soja e produtos diversos. Até o restabelecimento do local, toda essa carga deixará de chegar ao seu destino diariamente.
Hoje, diretores da empresa estarão em Bauru para avaliar os estragos. Não há previsão para a liberação dos trilhos.
A assessoria de imprensa informou que os trens levam combustível de Paulinea para Campo Grande. Já os de soja, saem de Campo Grande e Três Lagoas com destino ao porto de Santos. Um outro trem leva produtos diversos, carregados em Bauru, para a Bolívia.
O desabamento na erosão ocorreu ontem à tarde, quando funcionários da Novoeste trabalhavam no local, tentando consertar a enorme cratera, que tem cerca de dez metros de profundidade. Ao perceber que estava descendo uma enxurrada, eles saíram da área, antes de serem surpreendidos pelo desmoronamento. “Eles perceberam o perigo e correramâ€, conta um funcionário da empresa que não quis se identificar.
A força da água levou boa parte da estrutura que sustenta o trilho. Ficaram apenas as ripas de madeira e uma travessa de ferro, prestes a cair.
Nem mesmo para a passagem de pedestres o local ficou seguro. Técnicos da Novoeste, que estavam no local, colocaram faixas de segurança para isolar a área. Eles não quiseram falar com a reportagem do JC sobre a segurança do trilho.
O aposentado Luiz Rocha, morador do bairro, alerta para o perigo da erosão. “Muitas pessoas andam por esse trilho para chegar à Vila Industrial e à Vila Giunta. Elas podem cair e até acontecer uma tragédiaâ€, diz.
Enquanto a reportagem esteve no local, muitas pessoas se arriscaram a atravessar a área que estava isolada, equilibrando-se nas ripas de madeira.
A doméstica Antonia Carneiro da Silva foi mais prudente. Ao se deparar com o tamanho da erosão, ela se assustou e resolveu voltar. “Eu não vou passar aí, não. Está muito perigoso. Vou ter que dar a volta para chegar do outro lado.â€
Rocha salienta que muita gente costuma andar à noite pelo trilho, inclusive de moto. “Sem iluminação nenhuma, eles podem cairâ€, diz.
Para ele, a fita plástica que isola o local não vai adiantar. “As pessoas nem vão prestar atenção nisso. É preciso fazer alguma coisa para impedir que elaas passem por aquiâ€, diz.
Sem saída
De acordo com Rocha, ele escutou o estrondo do desmoronamento de sua casa, a cerca de um quilômetro do trilho. “Foi muito alto. Pensei que alguém pudesse ter se machucadoâ€, diz.
No último dia 6, a Defesa Civil já havia interditado a área devido à erosão. Foi determinado que a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) fizesse a sinalização do local para evitar o trânsito de pedestres. A Secretaria Municipal de Obras e a Novoeste disseram, na ocasião, que estariam providenciando, no mesmo dia, a construção de um acesso sobre os trilhos, garantindo a segurança da população. No entanto, isso não foi feito.
Ontem à noite, o secretário municipal de Obras, Antonio Carlos Duarte, disse que ainda não estava sabendo do desmoronamento. “A secretaria não foi informada desse ocorridoâ€, garantiu.
De acordo com ele, a prefeitura e representantes da Novoeste estiveram reunidos, na última quarta-feira, para discutir sobre as obras no Jardim da Grama. “A Novoeste ficou responsável pela obra no trecho onde correm os seus trilhos. Nós já havíamos começado a trabalhar lá na segunda-feira e nos retiramos do serviço até a empresa terminar a parte dela.â€
Ele disse que a prefeitura não vai poder fazer nada na área enquanto a empresa ferroviária não fizer a parte dela. â€œÉ uma seqüência: enquanto eles não terminarem os trilhos, não podemos mexer na ruaâ€, disse.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, a obra para reparar a erosão é muito complexa e vai exigir um grande investimento. “Tem que fazer isso com uma certa urgência, antes que ocorra uma tragédiaâ€, alerta.