Saúde

Índice de Massa Corporal é mais usado

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos anos, a fórmula mais usada para determinar se as pessoas estão dentro ou fora do peso ideal tem sido o Índice de Massa Corporal (IMC). A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera este o melhor método para avaliar os níveis de obesidade de uma população e, assim, estabelecer os riscos de mortalidade.

O IMC pode ser obtido com uma conta simples de matemática. Basta dividir o peso atual (em quilos) pelo valor da altura (em metros) ao quadrado. O peso é considerado normal quando o resultado do cálculo fica abaixo de 25.

O cardiologista João Quialheiro Abreu explica que, nas décadas mais recentes, a medicina constatou que o excesso de peso tem uma correlação muito forte com o risco de mortalidade por doenças cardiovasculares. Por isso, na opinião dele, a obesidade não pode passar despercebida aos olhos do profissional de saúde.

“A pessoa obesa tem um risco até 12 vezes maior de morrer por uma doença cardíaca do que a pessoa com peso normal. E dados recentes do Ministério da Saúde mostram que 40% da população brasileira adulta está com sobrepeso ou obesa”, informa.

A endocrinologista Ana Gabriela Martins Galesso comenta que quanto maior o resultado do IMC, maior o risco para a saúde do indivíduo. Pessoas que têm IMC entre 25 e 30 são consideradas com sobrepeso e já têm risco elevado de apresentar doenças. Os resultados entre 30 e 40 são caracterizados como obesidade em grau 2 e indicam risco muito elevado.

Pacientes que têm índice superior a 40 estão com obesidade mórbida e o risco de sofrer distúrbios cardiovasculares é extremo. Segundo Abreu, eles têm apenas 15% de chance de atingir a expectativa de vida média do País, ou seja, eles têm 85% de chance de morrer mais cedo do que aqueles que têm peso normal.

Abreu comenta que a única restrição ao IMC é que ele não determina o que representa o peso excessivo. Ele considera músculos, gordura e água como um componente só.

“Desta forma, ele não diferencia, por exemplo, um obeso de um halterofilista. Você pega um homem com 1,90 metro e que pesa 100 quilos, ele vai ter um IMC alto (27,7 = sobrepeso), mas a constituição física dele é predominantemente de músculos”, observa.

Especialista em avaliação física, o professor de educação física Kiko Mendonça salienta que o IMC é um excelente método para avaliação da obesidade, porém é desaconselhável para quem busca parâmetros estéticos. Nesse caso, ele recomenda outros tipos de avaliação que incluem a medição da taxa de gordura corpórea.

Ele cita o caso de um aluno com 1,82 metro e 96 quilos. O IMC dele é 28,9, mas exames de bioimpedância apontam que ele tem 16% de gordura. Para homens, esse índice é considerado normal até 19%. “Mas ele faz atividade física constante e o peso é resultado de massa muscular”, salienta.

Baixo peso

O IMC determina como peso normal pessoas cujo resultado fica entre 18,5 e 24,9. Porém, a especialistas advertem que um resultado inferior a 18 pode ser tão prejudicial à saúde quanto a própria obesidade.

De acordo com a endocrinologista Ana Gabriela Galesso, o paciente com baixo peso está mais suscetível a várias doenças. Ela cita a osteoporose - patologia caracterizada pelo enfraquecimento dos ossos -, a anemia e as disfunções hormonais.

“Normalmente, são pessoas que não consomem alimentos de maneira adequada e acabam tendo deficiências nutricionais e vitamínicas. Isso é mais comum entre as adolescentes, que acabam fazendo loucuras para atingir os baixos pesos que elas consideram o sonho. É muito comum ver no consultório meninas bonitas, jovens, com peso saudável, mas que se sentem gordas e querem emagrecer”, ressalta.

Segundo ela, são jovens que acabam aderindo a dietas radicais, restritivas em inúmeros nutrientes. Elas conseguem a redução de peso, mas à custa de enfraquecimento e comprometimento da saúde.

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