Cansada de conviver com mato alto, insetos e ratos, a balconista Solange de Fátima Rafael, moradora do Núcleo Habitacional Joaquim Guilherme de Oliveira, tomou uma decisão: “arregaçou†as mangas e fez uma limpeza no quintal do seu vizinho.
A casa está abandonada há três anos e meio, desde que o conjunto foi entregue aos moradores, em agosto de 1999. “Nem muro fizeram. A casa está completamente abandonada e virou uma área de proliferação de bichosâ€, salienta.
Ela conta que os ratos sempre invadem a sua casa e ela teme que o imóvel vazio possa abrigar outros tipos de problemas. â€œÉ um local propício para se transformar em criatório do mosquito da dengue. Ainda mais com esse tempo de chuvaâ€, salienta.
Ela e o marido já capinaram três vezes o terreno. Na última vez, ela pediu para que uma máquina da prefeitura que fazia serviços próximo ao bairro passasse no quintal da casa. “Eles fizeram uma boa limpeza e mataram muitos ratosâ€, conta.
Além disso, Solange destaca que há riscos muito maiores. A casa foi invadida por vândalos, que destruíram e furtaram portas, janelas e acessórios internos. “À noite, sempre tem gente lá dentroâ€, afirma.
A vizinha dela, Ednéia Moreno Carvalho, também teme a ação dos invasores. “Não se sabe o que essa casa vazia pode abrigar. Tem desde aranha e barata, até pessoas que a gente não sabe quem éâ€, destaca.
Os núcleos recentes são os que mais sofrem com essa situação. Em bairros como o Mary Dota, o número de casas abandonadas não chega a incomodar tanto a vizinhança. “Das 3.636 casas do conjunto, apenas 18 estão vaziasâ€, diz Paulo Ferreira, presidente da Associação de Mutuários, Moradores e Amigos do Mary Dota.
Ele acredita que nenhuma residência tenha sido invadida e atribui isso ao fato de contar com o apoio do Pelotão Leste da Polícia Militar. “A PM fica praticamente dentro do bairro e a situação é bem controladaâ€, afirma.