Para Roberto Lima, presidente da Associação de Moradores do Beija-Flor e Núcleo Mary Dota, a acusação mútua entre a Prefeitura de Bauru e a Tofer sobre a responsabilidade pelas rachaduras na ponte é prova da negligência por parte da administração municipal.
“Independente se o projeto original foi alterado ou não, nós temos uma Secretaria de Obras que tem a função de fiscalizar o trabalho. Por que a Secretaria de Obras não percebeu que a ponte estava sendo construída diferente do projeto, como alega a prefeitura?â€, questiona. “Se tivesse acompanhamento, qualquer irregularidade teria sido detectadaâ€, completa.
O secretário municipal de Obras, Antônio Carlos Duarte, afirma que, como a empresa ganhadora de uma licitação é responsável pela construção, não foi feito acompanhamento contínuo das obras. Lima frisa que os moradores da região do Mary Dota - que ele estima em 70 mil pessoas - estão revoltados com a interdição da ponte.
“A população realmente está revoltada porque a ponte foi feita às pressas, entregue na véspera da eleição, e agora não pode utilizá-laâ€, afirma. Com a interdição da ponte, o trajeto entre a região do Mary Dota e do Distrito Industrial 1 aumentou em vários quilômetros.
Além do trajeto mais longo e conseqüente aumento de gasto de combustível, os comerciantes estabelecidos próximos da ponte estão amargando prejuízos com a interdição, segundo Lima. “O gerente do posto de gasolina localizado próximo da ponte nos disse que o movimento caiu 60% devido à interdiçãoâ€, diz.
Waldir Caso, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste, que abrange toda a região do Mary Dota, concorda com Roberto Lima. Para ele, a Secretaria de Obras deveria ter acompanhado de perto a construção da ponte e verificado eventual problema.
“Agora é a população que está sendo penalizada, que não pode usar a ponte que demorou tanto para ser construídaâ€, frisa. Ele lembra que os moradores da região do Mary Dota que precisam deslocar-se para a região do Distrito Industrial e Jardim Redentor estão sendo obrigados a percorrer um trajeto muito mais longo.