Jaú - A participação do setor calçadista de Jaú na 30.ª edição da Couromoda, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, foi discreta. Ao contrário do ano passado, quando estiveram presentes 20 empresas jauenses, a feira deste ano, encerrada na sexta-feira, contou com a participação de apenas sete expositores.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Calçados, Ângelo Soave, foram dois os principais motivos que levaram a uma redução drástica na participação dos expositores da cidade.
Segundo ele, os organizadores da feira demoraram para entregar a documentação para as empresas interessadas em participar. Em razão disso, algumas empresas encontraram dificuldades para dispor dos R$ 8 mil necessários para ter direito a um estande na feira.
A demora teria inviabilizado ainda, segundo o presidente, a participação da marca Brazil Essence, que congrega grande parte dos produtores de calçados de Jaú e tem como finalidade principal impulsionar a exportação do produto jauense.
Na feira do ano passado, os 20 expositores estiveram reunidos no estande do Brazil Essence. Juntos, eles conseguiram vender 45,6 mil pares de calçados durante a feira. Um número bem superior ao que havia sido estimado pelos calçadistas, antes da Couromoda. Na época, os produtores tinham a expectativa de vender apenas 5 mil pares.
Sem a participação da marca Brazil Essence, as empresas interessadas em participar da feira tiveram que negociar seus estandes individualmente.
Outra justificativa apresentada por Soave para a discreta participação de Jaú na Couromoda deste ano diz respeito às prioridades do setor calçadista da cidade.
Segundo ele, para os produtores jauenses é mais interessante marcar presença na Francal, realizada no meio do ano, também em São Paulo.
Soave justificou a preferência dos empresários argumentando que a Couromoda exibe basicamente calçados para a moda de inverno. Enquanto isso, a Francal é preparatória para a moda nos meses mais quentes, quando as empresas vendem mais.
De acordo com o presidente do sindicato, os pedidos de inverno geralmente são entregues entre os meses de abril e junho. Para entregar os pedidos da moda verão, as empresas precisam trabalhar, em média, sete meses. “Por esse motivo, há uma queda natural no interesse (dos empresários) em expor na Couromodaâ€, comentou Soave, que esteve em São Paulo visitando a feira.
Os representantes de Jaú na edição deste ano da Couromoda foram a Claudina, Ferrucci, Due Fratelli, Fernanda Mussi, Gabriela Sanchez, Vitara e Naturale. Esta última assinou recentemente contrato com Elô Pinheiro para a confecção de calçados para a grife Garota de Ipanema.
A Claudina, aliás, foi homenageada na última quarta-feira pela direção da Couromoda. A empresa está entre as 14 que participaram de todas as 30 edições da feira.
Vitrine de tendências
Maior feira especializada na América Latina e terceira do mundo, a Couromoda - Feira Internacional de Calçados, Artigos Esportivos e Artefatos de Couro é considerado um dos mais importante eventos para negócios e lançamento de moda no mercado de calçados e artigos de couro.
É também a mais prestigiada e representativa feira deste setor. Seus 800 expositores respondem por 80% da produção brasileira, oferecendo a lojistas e importadores uma das mais completas amostragens da moda, da tecnologia e do marketing do setor de calçados e artefatos de couro.
A feira ocupa 55 mil metros quadrados do Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, e reúne tomadores de decisões na indústria e no varejo.
Entre os visitantes, 73% são lojistas, atacadistas, distribuidores e importadores. Ou seja, compradores que influenciam as vendas do setor nos primeiros meses do ano e na temporada outono/inverno. Dos visitantes estrangeiros, quase todos são da América Latina.