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Encontro comemora Dia do Fusca

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

Um grupo de apaixonados por carros antigos esteve reunido ontem no Auto Clube, na Vila Seabra, para celebrar o Dia Nacional do Fusca, considerado um verdadeiro símbolo nacional. Oficialmente, a data é comemorada hoje. Mas como segunda-feira é dia de trabalho, a celebração foi feita ontem.

No fim da tarde, cerca de 30 veículos saíram em carreata pelo Centro da cidade para não deixar passar em silêncio a data.

Esse foi o primeiro evento comemorativo organizado pelo Fusca Club, criado há seis meses em Bauru. Com 36 inscritos, o grupo é composto exclusivamente por amantes do lendário Fusca.

Apesar da preferência pelo “carro do povo”, muitos não conseguem explicar qual o motivo de tanta devoção. “Fusca é Fusca. Não tem explicação”, tentou argumentar José Ferraz, 24 anos, mais conhecido como ‘Vampa’.

Luiz Fernando, 21 anos, outro amante do carro da Volkswagen, preferiu uma forma bem humorada para classificar o veículo. “O Fusca não anda, desfila”, disse ele, afirmando, em seguida, que há sempre alguém olhando para o Fusca, quando ele passa.

Há quem prefira expressar sua paixão usando o próprio corpo. Esse é o caso de Edilson Costa, 26 anos, mais conhecido como ‘Sapinho’, que tatuou um Fusca, idêntico ao dele, na parte interna do braço esquerdo.

Segundo ele, o carro faz parte de sua vida. “Meu pai sempre teve Fusca. Foi o primeiro carro que eu dirigi e há dois anos, finalmente, consegui comprar um”, contou.

Antes da carreata, os ‘fuscamaníacos’, a exemplo do que fazem todos os meses, reuniram-se no Auto Clube para falar, é claro, de carro, paquerar e tomar uma ‘cervejinha’. Tudo tendo como pano de fundo uma trilha sonora dos anos 50 e 60.

De acordo com o proprietário do clube, Ariel Gusmão, 40 anos, outro apaixonado por carros antigos, o local nasceu para ser um espaço de convivência entre amantes e colecionadores de carros fora de linha.

Em um futuro não muito distante, ele tem planos de ampliar a finalidade do clube. A idéia, segundo Gusmão, é usar o espaço para organizar feiras de carros usados, aos sábados, e construir ainda um bar temático, lembrando a época que ficou conhecida como os “Anos Dourados”.

Além de Bauru, o Fusca Club existe também em outras cidades da região, como Lençóis Paulista, Duartina, Barra Bonita, Bariri e Avaré.

Hoje, Dia Nacional do Fusca, não há nenhum evento programado pelo clube bauruense. De acordo com o presidente da entidade, Thiago Machado de Oliveira Guimarães, 20 anos, seria difícil reunir a “turma”, porque quase todos trabalham.

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'Carro do povo' foi pedido de Hitler

Para alguns um projeto arcaico, pra outros um projeto eterno, feito pra durar; o Fusca, feito a princípio a pedido de Hitler a Ferdinand Porsche, um eterno defensor dos carros populares numa época em que só existiam carros de luxo, designado às camadas ricas da população; o velho “beetle” recebeu o nome de Volkswagen - uma palavra alemã que em português significa “carro do povo”.

Lançado oficialmente em 1936, pelo então projetista Ferdinand Porsche, o Volkswagem podia ser comprado por quase todos.

Ele era equipado com motor refrigerado a ar, sistema elétrico de seis volts, câmbio seco de quatro marchas (até então só se fabricava carros com caixa de cambio inferiores a três marchas), não tinham quebra-ventos nem pára-choques ou vidro traseiro e as portas se abriam ao contrário das atuais.

Daí em diante, as evoluções foram constantes. Sistema de freios a tambor, caixa de direção tipo “rosca sem fim”, evoluções estéticas como quebra-vento, lado de abertura da porta, saída única de escapamento, estribo, entre outras, foram algumas das mudanças.

Ao todo, o Fusca teve nada menos do que 2,5 mil mudanças até seu último exemplar, fabricado em julho de 1996.

Ele começou a ser fabricado no Brasil em 1959 e teve seu auge de vendas em 1974. Nunca se vendeu tanto Fusca no Brasil como naquele ano. Foram 239.393 unidades fabricadas, contra 126 mil produzidas em 1969. Naquela época, era evidente o sucesso alcançado pelo Fusca.

Mas a trajetória vitoriosa foi interrompida em 1986. Embora o México não tenha parado de produzi-lo, no Brasil a linha de montagem do Fusca chegara ao fim.

Até que em 1993, por pedido do então presidente do Brasil, Itamar Franco, o Fusca volta novo de novo.

Enquanto muita gente não acreditava no sucesso do relançamento, as vendas foram mais que animadoras. Chegou-se a produzir mais de 40 mil novos Fuscas.

Muitos consumidores deixaram de adquirir um modelo popular para investir na confiabilidade do velho conhecido. No entanto, em julho de 1996, foi anunciada a suspensão definitiva da linha de produção do Fusca.

Para comemorar sua última série de fabricação, foram fabricados os últimos 1,5 mil modelos, na versão “Fusca Ouro”. Os últimos 1,5 mil proprietários tiveram seus nomes guardados em um “Livro de Ouro da VW”.

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