Ciências

Declaração da Conferência de Jornalismo Científico


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“Nós, participantes da Terceira Conferência Mundial de Jornalistas Científicos, compreendendo 320 representantes da mídia, de universidades e de organizações profissionais de 26 países, reunidos em São José dos Campos, Brasil, de 24 a 27 de Novembro de 2002, adotamos as recomendações das duas conferências prévias, realizadas em Tóquio, em 1992, e em Budapeste, em 1999, declaramos a criação de uma Federação Mundial de Jornalistas Científicos (WFSJ).

A WFSJ é uma organização não governamental internacional sem fins lucrativos que representa as organizações de jornalistas que cobrem as áreas de ciências, tecnologia, saúde, medicina e meio ambiente em todas as regiões do mundo.

A WFSJ permitirá que os comunicadores de ciências de todos os países compartilhem os benefícios mútuos de uma organização profissional internacional que protege os direitos dos jornalistas, atua como ponte entre cientistas e o público, e promove uma nova cultura mundial do jornalismo científico com base nos princípios da sociedade civil e da democracia.

Reconhecendo que esta conferência é a primeira realizada no Hemisfério Sul, os participantes convocam a WFSJ a apoiar, respeitar e promover os direitos, a segurança e a vida dos jornalistas científicos em todos os países, independentemente de raça, religião, etnia, gênero, idade ou preferência sexual.

Além disto, em reconhecimento ao modelo brasileiro de formação em jornalismo científico, os participantes convocam a WFSJ a facilitar e incentivar o treinamento, a criação de redes e a educação de jornalistas científicos em todos os lugares, especialmente no mundo em desenvolvimento. Os meios mais eficazes para atingir tais metas são o fortalecimento de associações nacionais e a criação destas organizações em países onde ainda não existam.

Reconhecendo que esta Conferência Mundial é a primeira do gênero no século 21, e que a ciência e a tecnologia continuarão sendo fontes do progresso humano, os participantes convocam a WFSJ para que convença os proprietários e executivos da mídia de que o jornalismo científico pode ser um meio para dar mais poder à sociedade civil.

A mídia deve oferecer mais recursos, pessoal, espaço e tempo de programa não apenas para tópicos específicos de ciências, mas também para os componentes científicos e tecnológicos de todas as atividades humanas.

Reconhecendo ainda que a comunicação das ciências é a chave para aumentar a alfabetização científica do público em geral, os participantes convocam a WFSJ a pressionar autoridades públicas e empresas privadas para que garantam o acesso às novas tecnologias da comunicação e garantam o livre fluxo da informação. Isto é particularmente urgente nos países em desenvolvimento e nas regiões mais pobres do mundo.

Finalmente, os participantes reconhecem que ciências, política, economia e jornalismo são entidades não separadas, e sim interligadas, nas culturas das sociedades modernas.

Eles incentivam a WFSJ a promover este conceito através de suas recém-criadas redes de contatos pessoais e organizacionais, como também por meio de seu website, suas publicações e seus outros meios de comunicação.

Os resultados destas iniciativas, assim como as futuras propostas de ação serão transmitidas e discutidas durante a 4ª Conferência Mundial de Jornalistas Científicos a ser realizada em Montreal (Canadá) em 2004. Esta Conferência deverá ter como um de seus objetivos promover o encontro de decisores de políticas públicas e de executivos da mídia moderna com aqueles que produzem, comunicam e utilizam a informação científica e tecnológica, de modo a garantir que estas recomendações se transformem em realidade.”

“Declaração da III Conferência Mundial de Jornalistas Científicos. 24 a 27 de Novembro de 2002.”

São José dos Campos, 27 de Novembro de 2002

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